Pobreza e mitos culturais alimentam uniões prematuras em Alua

Nampula (IKWELI) – A pobreza e a persistência de crenças culturais estão entre as principais causas das uniões prematuras que levam dezenas de crianças abandonarem a escola no posto administrativo de Alua, distrito de Eráti, província de Nampula.

As autoridades locais alertam que estas práticas continuam a contribuir para o abandono escolar de dezenas de crianças todos os anos.

A preocupação foi manifestada pela chefe do posto administrativo de Alua, Célia António, que revelou que 12 a 20 crianças abandonam a escola anualmente devido a uniões prematuras, sobretudo no ensino primário.

Segundo a responsável, apesar dos esforços desenvolvidos pelas autoridades, líderes comunitários e activistas sociais para sensibilizar as famílias sobre os prejuízos das uniões prematuras, o fenómeno continua a afectar várias comunidades da região.

“Temos tido encontros e formações e contamos com activistas que trabalham nas comunidades. Também há envolvimento das lideranças locais na sensibilização dos pais e encarregados de educação para desencorajar esta prática. Posso não precisar avançar o número exacto, mas registamos entre doze e vinte crianças que desistem da escola, particularmente no ensino primário. No ensino secundário a situação está melhor,” explicou.

Célia António acrescentou que existe uma coordenação entre várias instituições para combater o problema, envolvendo tribunais comunitários, núcleos de policiamento e a Polícia da República de Moçambique.

“Temos tribunal local e núcleos de policiamento, mas eles não têm competência para resolver este tipo de casos. Devem encaminhá-los para o posto policial. Só este ano, o posto policial encaminhou três casos para o comando distrital e, segundo as informações que temos, todos os envolvidos encontram-se detidos,” afirmou.

De acordo com a chefe do posto administrativo, algumas comunidades ainda mantêm a crença de que, após a morte de uma mulher casada, deve-se procurar uma menina para casar com o viúvo, uma prática que contribui para a perpetuação das uniões prematuras. A pobreza das famílias é apontada como outro factor determinante para o agravamento do problema. (Malito João)

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