Actores sociais desencorajam discurso de ódio em Nampula

Nampula (IKWELI) – Actores sociais na província de Nampula desencorajam o tipo de discursos proferidos por alguns políticos e membros da sociedade civil, uma situação que entendem estar a dividir o país, uma vez que Moçambique precisa ser mais unido para o desenvolvimento, e não governado pelo divisionismo.

A constatação surge no âmbito do 18 de Junho, dia internacional para o combate do discurso de ódio, data proclamada pelas Nações Unidas através do plano de acção para o discurso de ódio.

Faltando poucos dias para a data, o Ikweli entrevistou diferentes actores sociais para melhor compreender as nuances por detrás dos discursos de ódio, alguns dos quais entendem que esse tipo de discursos tornaram-se mais evidentes durante as manifestações pós-eleitorais e continuam presentes nos discursos políticos e nas redes sociais.  

“É preciso trazer uma nova roupagem pra que os moçambicanos se reconciliem,” defende Gamito Dos Santos

O defensor dos Direitos Humanos e activista social Gamito Dos Santos disse ao Ikweli que é momento de trazer um novo modelo de entendimento para que os moçambicanos se reconciliem, partindo do afastamento dos discursos de ódio. 

Gamito menciona as manifestações pós-eleitorais como o ponto de partida para os discursos de ódio no país. “Depois das manifestações, o Presidente da República tem vindo a tentar responsabilizar os erros ao nível da sua governação aos manifestantes, chamando nomes e apelidando discursos que, de certa forma, não trazem a reconciliação que tanto se almeja como cidadãos.”

Dos Santos acusa ainda o Presidente da República de Moçambique de perpetuar discursos de ódio. “O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, depois das manifestações continua magoado com os manifestantes, mas nunca consegue entender a razão das manifestações, e ele na pessoa do Presidente da República devia ser a primeira pessoa a perdoar, e procurar trazer uma nova roupagem para que os moçambicanos se reconciliem,” considerou.

Para esta fonte, a falta de perdão e a prevalência de discursos de ódio proferidos pelo Presidente da República de Moçambique, sobretudo devido ao fenómeno das manifestações, tem vindo a contribuir para a falta de confiança entre o regime no poder e a sociedade no geral. “A sociedade já não acredita nas políticas administrativas, a sociedade prefere novas formas de convivência que vão contra aquilo que é o Estado Democrático e que essa mesma sociedade já pega a moeda de troca como retalhação, estes atentados, por vezes, tem criado divisionismo no seio da população. A unidade nacional que se tem propalado não pode ser apenas um discurso, tem que ser uma realidade.”

“Todos devem ter Jesus Cristo como exemplo,” aconselha Padre Cantífula De Castro

Já o padre da Igreja Católica e académico, Cantífula de Castro, entende que a melhor forma de combater o discurso de ódio e trazer reconciliação, é a sociedade seguir Jesus Cristo como exemplo.

“O combate ao discurso de ódio é uma acção que não se restringe, mas consubstancia-se a todos actores sociais, religiosos, dirigentes, instituições e meios de comunicação social. Jesus Cristo ensinou-nos a amar, pensamentos iguais devem continuar e a igreja tem um papel preponderante,” Considerou o Padre

Segundo disse o padre, as plataformas digitais têm vindo a ser um canal activo para o discurso de ódio, apelando o uso racional delas.

O entendimento da Sant’ Egidio

O responsável da comunidade do Sant’ Egídio, na província de Nampula, Américo Sardinha, defende que a Xenofobia é um tipo de discurso ódio, devendo ser combatida. “Uma das formas do discurso de ódio é a Xenofobia. E as religiões são chamadas a combater o discurso do ódio, por exemplo, o Cristianismo e o Islamismo tem o mesmo pai que é o Abrão.”

Aquele responsável recordou ainda que a comunidade Sant’ Egidio tem desenvolvido diversas acções para o combate ao discurso de ódio. “Todos os anos a comunidade Sant’ Egídio, em Roma, organiza marchas para recordar os acontecimentos da segunda guerra mundial, os judeus sofreram, muitos foram mortos, houve o nazismo. A comunidade também se lembra do homicídio de Ruanda é uma data muito marcante e ali criou-se o ódio, depois houve problema de etnias, e a comunidade procura aquilo que une e deixa de lado aquilo que divide.” (Fátima Mugaveia)

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