Acção Social sem dados de crianças no trabalho infantil em Nampula, mas o fenómeno preocupa a instituição

Nampula (IKWELI) – O departamento da Criança da direcção provincial do Género, Criança e Acção Social, em Nampula, anda preocupado com a prevalência do fenómeno de crianças no trabalho infantil na circunscrição.

Óscar Tito, responsável da área, disse ao Ikweli que a instituição não dispõe de dados sobre o número real de menores nessa situação.

A 12 de junho corrente, celebrou-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil e Tito disse que “uma das razoes da normalização de trabalho infantil, é que muita gente não conhece o instrumento de penalização. As principais formas de trabalho infantil são agricultura, nas minas, nas vendas ambulantes.”

No entanto, esta fonte anotou que de janeiro a maio do corrente ano, 64 crianças foram retiradas do trabalho infantil apenas na cidade de Nampula, concretamente nos mercados do Waresta, Matadouro, Mutauanha e Belenenses, dessas 47 já foram reintegradas nas escolas e as restantes estão em processo de reintegração.

O 12 de junho, Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, neste ano foi celebrado sob o lema “Proteger a criança é responsabilidade e dever de todos nós”.

Entretanto, pais e encarregados de educação ouvidos pelo Ikweli, além de condenar o uso de crianças em trabalhos árduos, o governo deve tomar medidas duras contra todos os envolvidos nessa prática, apontando que o lugar delas é na escola.

“Essas práticas não são boas para o desenvolvimento da criança e assim não poderão ajudar o crescimento da sua própria comunidade, o governo deve fazer o controlo dessas práticas,” disse Gildo José, pai e encarregado de educação, residente na cidade de Nampula.

Mariamo Travaço, encarregada de educação, residente em Mutauanha, aconselha as outras mães a mandarem as crianças para a escola, mesmo que não tenham condições como no seu caso.

Outrossim, Alima Matias, vendedora e criança de 15 anos de idade, que se encontrava a vender na avenida Eduardo Mondlane, disse que está na actividade porque foi obrigada a vender mandioca fresca pelos seus encarregados e por conta disso não vai à escola. “Quando peço para me colocarem na escola eles [os pais] disseram para esperar, por causa de vender, não me sinto bem quando vejo as outras crianças a irem na escola enquanto eu não e tem profissões que eu gostaria de ser”, desejou. (Fátima Manuel)

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