
Maputo (IKWELI) – Durante um debate na capital do país, na sexta-feira (29.05), sobre o acesso universal da energia elétrica em Moçambique, foi constactado que os custos elevados dos sistemas fora da rede travam acesso universal à energia que o país quer atingir até 2030.
A directora da Divisão de Electricidade do Fundo Nacional de Energia (FUNAE), Arcádia Nhatumbo, alertou que os elevados custos dos sistemas de energia fora da rede passaram a ser um dos principais obstáculos para o alcance do acesso universal à eletricidade que Moçambique almejava alcançar até ao ano de 2030.
A mesma posição foi partilhada pelo pesquisador da Universidade Eduardo Mondlane e bastonário da Ordem dos Engenheiros, Alberto Tsamba, e pelo representante da Universidade Pedagógica, Paulino Muebe.
Os dois especialistas apontaram ainda as dificuldades financeiras das famílias, a dispersão populacional, a vandalização de infra-estruturas, o roubo de energia e as barreiras aduaneiras à importação de equipamentos solares como factores que limitam a expansão do acesso à energia, sobretudo nas zonas rurais.
Igualmente, os participantes manifestaram preocupação com os prejuízos causados pelo vandalismo e pelo roubo de energia. Por exemplo, nos últimos 12 anos, cerca de 108 milhões de dólares foram reinvestidos na reposição de infra-estruturas danificadas e na compensação de perdas, valor que, segundo os intervenientes, permitiria ligar aproximadamente 170 mil novos consumidores à rede eléctrica.
Como soluções, Alberto Tsamba defende a promoção da eficiência energética e a criação de mecanismos de inclusão para garantir o acesso universal à electricidade. A proposta deve prevê um consumo mínimo gratuito para famílias sem capacidade financeira, subsidiado pelos consumidores urbanos e pelo sector industrial, numa lógica de solidariedade social.
Por sua vez, Arcádia Nhatumbo apelou ao reforço das campanhas de sensibilização nas comunidades e escolas para evitar desperdícios e defendeu uma maior participação do sector privado na electrificação, especialmente através de sistemas fora da rede. Já Paulino Muebe considerou urgente a revisão das barreiras aduaneiras sobre painéis solares e outros equipamentos eléctricos, argumentando que as taxas elevadas dificultam o acesso da população a tecnologias alternativas de energia.
Dados apresentados no encontro indicam que foram mobilizados cerca de 337 milhões de dólares para apoiar o programa de acesso universal à energia, mas os painelistas alertaram que o prazo de 2030 está cada vez mais próximo e defenderam a aceleração da implementação de soluções concretas e sustentáveis para garantir energia para todos os moçambicanos. (Antónia Mazive)




