
Nampula (IKWELI) – Os docentes e estudantes da Universidade Rovuma (UniRovuma), em Nampula, reuniram-se, nesta segunda-feira (25), para debaterem os problemas que o continente africano enfrenta e de forma particular em Moçambique, no âmbito das celebrações do Dia da África.
O Professor doutor Alfredo Munquela afirmou, na ocasião, ser preciso valorizar as figuras moçambicanas que contribuíram para a elevação do país, e que cada um seja uma inspiração no seu meio social onde convive.
“Utilizemos a ciência e o saber, vamos combater com papel e a caneta, reflectindo, estudando, dialogando em conjunto, aprimorando o conhecimento através das tecnologias. Para o desenvolvimento do continente africano, tal como se pensava com os primeiros nacionalistas, devemos aceitar que nos tempos modernos, o nosso continente precisa de lideranças humanizadas que não se distanciem dos seus povos,” disse.
A fonte sublinhou que é preciso odiar aqueles que permitem que não haja a liberdade de expressão, os direitos humanos e lutar com aqueles que instalam perseguições nas instituições, sobre tudo aqueles que expressam que esse não é nosso.
“Se queremos dar continuidade aos ideais do Eduardo Mondlane, Kwame Nkrumah, Leopold Senghor e outros que deram suas vidas para libertar os seus povos e nações, consideremos o outro como aquele que vem dar mais cadencia o nosso desenvolvimento e não hostilizemos. Se se pretende alcançar o desenvolvimento sustentável, deve se apostar no investimento educacional, pois a educação é o pilar de qualquer nação,” frisou Munquela.
Para o Professor Doutor Óscar Namuholopa, a África resulta de ambições colonialistas que colocaram o continente em pedaços criando “fatias” como Moçambique, Angola Tanzânia e por aí em diante e aponta de que a África passou das independências para dependências, porque ainda persiste a dominação estrangeira.
Esta dominação, de acordo com a fonte, “aparece em forma de expansão do mercado e a exploração capitalista. Esse novo imperialismo manifesta nas transferências de capitais dos países periféricos onde a nossa riqueza vai para os chamados países de capitais centrados, ou seja, os exploradores,” lembrou.
No entender do Namuholopa, o Fundo Monetário de Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM), assim como as Nações Unidas são os assassinos económicos e exploradores actuais que o continente africano enfrenta, porque esta última organização só intervém quando lhe convém, “portanto, estão simplesmente para defender os interesses dos mais fortes. O FMI intervém para casos mais imediatos, age como bombeiro, enquanto o Banco Mundial faz investimentos estruturais. Por exemplo, FMI e Banco Mundial aconselharam Moçambique a não fazer investimentos estruturais após a Guerra civil no nosso país sob alegacão de que isso criaria custos enormes e desnecessários. Porém, a situação mais grave aconteceu em 1995 quando o salário mínimo era de 15 dólares e aqui havia necessidade de fazer o reajuste, o FMI aconselhou ao governo moçambicano a não fazer reajustamento, o que o Presidente Chissano não acatou,” realçou.
Carlos Augusto, estudante do curso de Sociologia, disse na ocasião que o Dia da África serve para reflectir o que era África antigamente e na modernidade, pois traz a consciência de ser africano, viver de acordo com a identidade negra.
Entretanto, Augusto aponta como desafios “a globalização porque apesar dos benefícios dela, há destruição da identidade africana, ela faz com que traga um modelo do que seria a sociedade actual e nós não podemos olhar áfrica como um continente abandonado porque Africa tem a sua história, tem cultura e suas tradições. Portanto, deve se fazer o casamento com a modernidade e o tradicional,” disse.
Já Juliana Faustino, outra estudante de Sociologia, comentou que a África não se encontra desenvolvida na sua totalidade uma vez que existem desafios da empregabilidade e a corrupção, sendo necessário procurar políticas que envolvem os jovens. (Francisco Mário)




