
Nampula (IKWELI) – As mulheres escritoras da cidade de Nampula defenderam, esta quarta-feira (20), a necessidade de maior valorização das vozes femininas na literatura, durante um debate promovido pelo Grupo de Escritores da Província de Nampula (GEIN), que teve como objectivo incentivar a participação da mulher no universo literário e combater preconceitos históricos sobre a capacidade feminina de produzir obras literárias.
No evento, a jurista e escritora Paula Lovena afirmou que a literatura representa um instrumento de libertação e afirmação da mulher na sociedade. Segundo a oradora, durante muitos anos as mulheres enfrentaram preconceitos e limitações sociais que desencorajavam a expressão dos seus sentimentos e ideias através da escrita.
“Há vários anos, mulheres tinham ideias, mas com algum receio, porque carregavam preconceitos. Muitas vezes, expressar sentimentos amorosos era visto de forma negativa”, revelou Lovena, acrescentando que chegou a destruir os seus primeiros escritos por receio das críticas.
A escritora sublinhou que o papel da mulher na literatura “é de posição e libertação”, defendendo que as mulheres devem usar a escrita para denunciar problemas sociais como o femicídio, os abusos e outras formas de violência baseada no género.
Por sua vez, a escritora e jornalista Hermínia Francisco destacou que, nos primórdios, a literatura era vista como uma actividade predominantemente masculina. Contudo, segundo explicou, as mulheres foram conquistando espaço através da resistência e da utilização da escrita como ferramenta de emancipação social.
“As escritoras lutaram contra o silenciamento, usando a escrita como instrumento de crítica social. Durante muito tempo, muitas mulheres recorreram a pseudónimos para que as suas obras fossem aceites”, afirmou Francisco.
A oradora salientou que, apesar dos avanços registados, persistem desafios ligados à visibilidade das mulheres na literatura, sobretudo das escritoras negras e pertencentes a grupos marginalizados.
O encontro serviu igualmente para reflectir sobre a evolução da presença feminina na produção literária, passando de uma figura secundária para protagonista das próprias narrativas e vivências sociais.
Segundo os organizadores, o debate pretende contribuir para a desconstrução da ideia, construída ao longo dos anos, de que a mulher não possui capacidade para produzir obras literárias.(Francisco Mário)




