Há mesmo crise em Nampula, no informal um litro de gasolina chega a custar 300 meticais

Nampula (IKWELI) – A situação de combustíveis, sobretudo a gasolina, está mesmo caótica na cidade e província de Nampula. Há mais de duas semanas que as pessoas dormem, praticamente, nas estações de abastecimento de combustíveis, vulgarmente chamadas por bombas.

O Ikweli acompanhou, neste fim-de-semana, a situação em várias estações de abastecimento de combustíveis, incluindo o negócio paralelo.

Percorremos ao longo da avenida Eduardo Mondlane, começando pelo mesmo exercício na avenida Samora Machel no final do dia de sábado, e pela madrugada visitamos bombas da avenida de Trabalho. Tudo cheio. Motorizadas, viaturas, cidadãos com recipientes plásticos [não recomendados] a procura de gasolina.

A narrativa oficial insiste haver combustível e, de facto, há combustível, tanto é que uma fonte do Ikweli confirmou que na terminal oceânica de Nacala os reservatórios estão cheios e há navios na barra para descarregar.

O fenómeno que não se percebe é o porquê da indisponibilidade para o consumidor final. Os proprietários das estações de abastecimento não conseguem arrumar alguma explicação. O facto está em Nacala, junto dos importadores, incluindo a estatal Petróleos de Moçambique (PETROMOC) que não consegue satisfazer aos seus clientes.

“Isso está demais. Ouvimos que há combustível em Nacala, mas aqui não chega,” disse António, que dormiu em uma estação de abastecimento na avenida do Trabalho, tendo referido que “quando a gasolina chega, não demora. Parece que há algum negócio dos bombeiros [frentistas]. Eles abastecem muitos galões de plástico.”

Uma outra fonte, entrevistada na zona da Rex, bem na estação de abastecimento Eco Company, também, mostrou-se agastada e comentou que “pelo menos aqui a pessoa consegue abastecer. Os bombeiros [frentistas] não têm mania, não priorizam a ninguém, basta fazer a fila, se encontrar gasolina abasteces.”

“A noite tive de comprar um litro de gasolina a 300,00Mt (trezentos meticais), nas barbas de umas bombas na Faina, porque os motoqueiros vão encher os tanques e depois drenam para vender a esse preço,” disse a senhora Catarina, a qual desconfia que “os bombeiros andam metidos nisso, porque não é normal. As motorizadas gozam de prioridade em algumas bombas, então penso que o negócio é feito, também, com os bombeiros.”

Ao nível da província de Nampula, os Serviços Provinciais de Infra-estruturas ainda não se pronunciaram sobre o dilema, enquanto isso a população vai sofrendo. (Aunício da Silva)

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