
Angoche (IKWELI) – A população de Luazi, no posto administrativo de Nametória, a sul de Nampula, tentou paralisar as obras de construção da estrada Nametil/Luazi, naquele ponto da província, alegando incumprimento de promessas por parte da empreiteira portuguesa Mota Engil.
Eduardo Mariamo Abdula, governador de Nampula, teve de ir na tarde desta quarta-feira (29) àquela comunidade para saber, de facto, a origem do problema.
“Nos prometeram hospital, não estamos a ver nada, nos prometeram 3 furos de águas e nos prometeram mercado e não estamos a ver nada. E a Mota Engil já está quase para sair,” disse uma senhora que participou de um encontro popular dirigido pelo Governador.
Uma outra senhora de Luazi, também, queixou-se, apresentando as dificuldades por que passam na comunidade, afirmando que “o mais importante que estamos a pedir é o hospital, mercado e água. Só temos uma única torneira aqui, com essa minha idade não posso sair a pé para Nametoria.”
Francisco Suleimane, um respeitado idoso em Luazi, falou no encontro. Contextualizou a origem do problema. “Nós não pedimos, ele nos prometeram. Não tinha chegado a vez de nós pedirmos, então decidimos conversar como homens. Os homens [Mota Engil] pensavam que era brincadeira, mas ali era coisa séria.”
Esta fonte anotou que há 5 meses que lhes foi prometido a abertura de três furos de água, mas até então nada acontece. “Mandaram-nos limpar um espaço para abrir furo de água, há 5 meses que não acontece nada.”
Tio Salim, como carinhosamente é tratado o governador de Nampula, ouviu atentamente as reclamações e, também, fez seus pedidos, prometendo dias melhores.
“Eu vou fazer pedidos: primeiro, meus filhos vamos abrir a estrada. Eu quero que vocês ajudem a mim e eu ajude a vocês. Essa coisa de queimar aqui,
Queimar ali não vai nos levar a lugar nenhum, não vamos conseguir fazer nada. Queremos furo de água, sim, é nosso direito, mas se andarmos a queimar tudo, o dono do camião que abre furos de água vai ter medo de vir aqui,” disse o governador.
Abdula interagiu longamente com a população, até questionou: “Quando falta comida em casa, fechamos papá no quarto? Queimamos papá?”, ao que lhes foi respondido que “não.”
Com o diálogo e entendimento restabelecidos, a população, voluntariamente, retirou as barricadas que tinha colocado na via. (Redação)
