
Nampula (IKWELI) – Celebrou-se nesta quinta-feira, 23 de Abril, o Dia do Livro e Direitos Autorais, uma data instituída pela UNESCO, como forma de reconhecer o poder dos livros como ponte entre gerações e culturas e este ano, a efeméride é comemorado sob lema: “Livros como pontes entre culturas”.
Na Província de Nampula, as cerimónias centrais tiveram lugar na Escola Secundária de Napipine onde foram discutidos a importância do livro e da leitura, assim como os desafios enfrentados por aqueles que produzem.
Wilson Assumane, escritor e professor da escola em alusão, disse na ocasião que ser escritor é deixar um testemunho, um legado ou uma herança para servir várias gerações, no entanto, aponta como grandes constrangimentos o acesso ao livro, porque não existe uma ponte que liga os leitores e aos escritores uma vez que o escritor lança o seu livro e acaba apodrecendo na prateleira.
“Tem pessoas que querem ler, mais não sabem onde encontrar um livro, não temos livrarias, se temos bibliotecas, estão vazias, portanto, não está a existir um sistema de marketing para colocar o livro no mercado. Não estamos a conseguir divulgar as nossas obras’” disse, sublinhando que “sem querer acusar, não está a existir um incentivo a leitura, seja nas escolas, seja o Ministério da educação.” frisou a fonte.
No entender do nosso entrevistado, o Ministério da Educação deve arranjar formas para que os livros cheguem aos leitores, pois tem capacidade de fazer.
Para o escritor David Ossufo, ser escritor é ser intermediário daqueles que não têm coragem de falar, e também destaca como preocupação, a fraca procura dos livros aliado às instituições que fornecem o material literário, no entanto, de acordo com o nosso entrevistado, “estamos a fazer um esforço criando clubes de leituras para minimizar a problemática.”
As celebrações foram acompanhadas por alguns concursos de leitura, declamação de poemas, e questões sobre cultura geral, actividades que culminaram com alguns prémios, como forma de incentivar os alunos a procurarem sempre a informação.
Erson Mafuda, aluno da 12ª classe na escola Secundária de Napipine, disse depois de ganhar um livro que a leitura “ajuda-me na fonética, a não ter o medo de se expressar, porque quando você lê aprende muitas palavras novas, portanto, todos os jovens devem ler porque com a leitura a pessoa desenvolve muitas habilidades. Se a possa não fala na turma e quando começa a ler automaticamente você já tem palavras porque, muitos alunos que não têm intervenção na turma, é por medo de errar dai que quando você começa a ler tem muitas palavras para dizer,” afirmou.
Em representação dos Serviços Distritais da Educação, Juventude e Tecnologia, Anselmo Joaquim, sublinhou que o livro constitui um instrumento de conhecimento, cultura e transformação social, sendo pertinente proteger os direitos daqueles que dedicam suas vidas na criação do livro.
“O livro é mais que um conjunto de páginas, pois é uma fonte entre gerações, uma janela para o mundo e uma ferramenta para a educação. Em Moçambique, o livro desempenha um papel crucial na preservação da nossa identidade e formação da cidadania,” disse o representante.
Joaquim realçou ainda que não se pode falar do livro, sem os seus autores, pois os direitos dos autores são fundamentais para garantir que os escritores, poetas e outros criadores tenham o reconhecimento e a proteção.
“Infelizmente, práticas como a pirataria e o desrespeito dos direitos dos autores ainda representam desafios significativos, para tal, precisamos como sociedade promover cultura de respeito a propriedade intelectual incentivando a compra do livro original e apoiando os autores nacionais,” realçou a fonte.
Por seu turno, Baptista Júlio, em representação da Direcção Provincial de Cultura e Turismo em Nampula, referiu que o livro é uma ferramenta essencial para educar, mobilizar, inspirar as acções sustentáveis.
“Os livros transbordam conhecimentos, transmissões, histórias e perspetivas de um grupo cultural para o outro promovendo empatia e valorização da diversidade. A leitura é importante para o desenvolvimento humano tanto a nível individual quanto colectivo,” disse sublinhando que a protecção dos direitos autorais para evitar que grandes ideias e criações sejam descredibilizadas pela pirataria. (Francisco Mário)





