
Nampula (IKWELI) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) tornou público um conjunto de reflexões e decisões saídas da sua mais recente assembleia plenária que teve lugar em Maputo, com forte enfoque nas questões sociais que afectam o país.
Entre os principais pontos discutidos, destacam-se os impactos das calamidades naturais, a crise económica, a pobreza crescente e os desafios no acesso a serviços básicos como saúde, educação e habitação.
Os bispos manifestaram preocupação com a situação social vivida nas diferentes dioceses, sublinhando que o país enfrenta um cenário marcado por conflitos, desigualdades e fragilidades estruturais.
A instabilidade em Cabo Delgado e as suas consequências humanitárias foram igualmente destacadas como factores que agravam o sofrimento das populações e exigem respostas mais coordenadas.
No documento, os líderes religiosos apelam à necessidade de maior compromisso colectivo para enfrentar os problemas sociais, defendendo uma actuação baseada na solidariedade e na justiça.
Segundo a CEM, “as calamidades naturais, o conflito em Cabo Delgado, a pobreza crescente e a falta de qualidade da educação interpelam-nos e recordam-nos que a Igreja deve permanecer junto das feridas e esperanças da sociedade.”
Outro ponto relevante foi o alerta sobre o ambiente político e social, caracterizado por desconfiança e descontentamento. Os bispos criticam práticas que não contribuem para soluções reais, afirmando que “há cansaço, desalento e desconfiança, e isso abre espaço a formas de fazer política que se alimentam mais da manipulação e da propaganda do que da busca sincera de soluções efectivas.”
A assembleia também destacou a importância da promoção do diálogo nacional inclusivo, considerando-o essencial para a reconciliação social e a construção de uma paz duradoura. Neste contexto, a Igreja reafirma o seu papel como mediadora e promotora de iniciativas que aproximem os cidadãos e fortaleçam a coesão social.
Os Bispos de Moçambique encorajam aos jovens a manterem-se firmes como agentes de esperança e transformação social, sublinhando a necessidade de continuar a investir na sua formação humana e espiritual.
A Igreja compromete-se a continuar a acompanhar de perto os desafios sociais do país, promovendo acções concretas que contribuam para o bem-estar das comunidades. (Malito João)