
Nampula (IKWELI) – Os bairros periféricos da cidade de Nampula continuam a debater-se com o problema do lixo, pois a recolha e tratamento ainda são deficitária, ainda que esforços da edilidade estejam a aliviar a situação.
Por exemplo, bairros como Namutequeliua, na zona da Meia Via, e Mutauanha, próximo ao único viaduto do norte de Moçambique, há montes de lixo, que, em alguns casos, constituem perigo para a saúde pública.
“Vieram pessoas do município a fingirem que queriam tirar lixo porque o presidente do município estava a passear pelo bairro quando, ele saiu, eles deixaram,” disse Juliana Amisse, moradora da Meia Via.
Maria José, residente há 12 anos na zona, conta que o problema começou com a falha na recolha regular. “Antes o camião passava duas vezes por semana. Agora estamos há quase um mês sem ver. O lixo junta-se e os clientes fogem. Tenho uma pequena banca e já não vendo metade do que vendia,” lamenta.
João Baptista, dono de uma mercearia na Meia Via, também testemunha. “Ninguém quer comprar tomate ou pão ao lado de uma lixeira. Perdemos sucesso, perdemos sustento.”
Já em Mutauanha, os moradores queixam-se do depósito de lixo em valas de drenagem, e acusam os vendedores de má-fé. “Nós já estamos cansados desses vendedores, sabe, se construíram essa vala da drenagem aqui no viaduto, é para escoar a água das chuvas, mas não é o que está a acontecer, são eles que depositam, e pior com restos de comida, por causa desse lixo a água fica parada, assim como é que não teremos doenças?” questionou Anifa Ussene, residente daquela área.
Anifa Ussene entende que o assunto não é recente. “Isso não é de agora, nós mães já saímos, fomos conversar com eles, pior ainda com essas mamãs que cozinham não querem colaborar, e não se preocupam em limpar o que eles colocam, porque também em algum momento quando cai chuva, a água não passa com facilidade por causa das coisas que eles depositam, é possível encontrar garrafas de cerveja partidas, espinhas de peixe, osso de galinha, até mesmo cagam, e com aquela água, colocam em risco as nossas crianças que em algum momento vão brincar descalços.”
Por outro lado, Catarina Pereira, de 40 anos de idade, também moradora, pede intervenção urgente do município na sensibilização dos proprietários daqueles estabelecimentos comerciais, com vista a reduzirem a falta de higiene naquele local. “Pedir uma ajuda do município a falar com eles, ou mesmo lhes remover, porque o que eles estão a fazer é perigoso para nós que vivemos próximo daqui.”
Além do impacto económico, os moradores temem surtos de doenças, por conta das águas acumuladas no lixo tornando assim com água rio de criadoura de mosquitos. “Já reportámos ao chefe do quarteirão e a secretaria do bairro. Prometem resolver, mas o lixo continua aqui.”
O lixo está a transformar a vida dos moradores dos dois bairros num desafio diário, uma vez que já bloqueia parte da estrada, exala mau cheiro e atrai moscas, ratos e outros vectores de doenças. (Hermínio Raja & Virgínia Emília)