Segundo o reitor da UniRovuma: Moçambique comete o erro de aceitar qualquer regra sem questionamento

Nampula (IKWELI) – O reitor da Universidade Rovuma (UniRovuma), Professor Doutor Mário Jorge Caetano Brito dos Santos, critica o facto de o país estar a aceitar qualquer imposição vindo das instituições internacionais, apontando que tal facto que deixa Moçambique em extrema dependência, e, por isso defende ser necessário um debate interno antes de acarinhar qualquer regra impostas por todos aqueles que pretendem estabelecer relações de parcerias.

Dos Santos falava a jornalistas nesta terça-feira (31) em reação a informação segundo a qual Moçambique encontra-se na segunda posição na lista dos países mais pobre do mundo, de acordo com o relatório do Banco Mundial, onde segundo a instituição 81% da população moçambicana gasta menos de três dólares (quase 200) meticais por dia, meticais.

Para o académico, as instituições multilaterais têm ditado algumas regras de seguimento obrigatório em Moçambique, mas entende que estas regras poderiam ser discutidas por todos actores da sociedade, incluindo a academia, entre outros que se acharem importantes, no sentido de encontrar as melhores estratégias antes da sua implementação.

“O que a comunidade internacional diz, é implementado exactamente na letra como eles ditaram, e essa aplicação, acho que poderíamos mudar, trazendo as informações das condições deles para grupos que possam refletir de forma mais profunda em equipas multidisciplinares e não apenas dois ou três ministérios, mas em equipas da sociedade moçambicana,” observou Dos Santos.

Com as equipas multidisciplinares defende a fonte, irá se perceber se vale a pena aplicar no pé da letra ou não, entender as estratégias ou procedimentos técnicos, práticos, tecnológicos e até mobilização de todos os moçambicanos para saber como vão ser aplicada as regras impostas.

“Nós cometemos o erro de deixar as instituições internacionais de ditarem algumas regras, como por exemplo, a privatização da indústria da castanha de Caju, depois a liberalização da exportação de toda a castanha bruta onde fechamos as fábricas tanto como em várias outras áreas, mas nós poderíamos pensar. Vender a castanha bruta não é uma da saída porque uma das soluções seria que todos os recursos naturais que tenham um potencial financeiro alto deveriam ter uma comparticipação do Estado,” entende Dos Santos.

Para se sair da pobreza evocada pelo Banco Mundial, o reitor, sublinhou que é responsabilidade todos os moçambicanos fazer de tudo para se sair da crise que o país enfrente procurando as melhores estratégias de soluções de progresso sem exclusão. Neste ponto, elencou que as Universidades constituem um dos motores, “apesar de muitas vezes estejam a serem ignoradas. Seria bom que as universidades estivessem cada vez mais envolvidas obrigatoriamente, além de mais, as universidades públicas são do governo e por si só estariam dentro para trazer soluções das dificuldades que estamos a passar,” anotou. 

Mais a diante, o entrevistado, sugere que o Estado precisa de ser accionista obrigatório em todas as empresas, justificando que tem de ter seus elementos a representarem aquilo que é a participação do Estado independentemente de a empresa ser pequena ou grande, vai permitir que o governo moçambicano tenha o controle dos recursos que saem do país.

Lembre-se que a notícia de que país ocupa o segundo lugar do mundo entre os mais pobres, surge no momento em Moçambique é destacado por possuir várias reservas de gás natural na bacia do Rovuma, carvão mineral em Tete (Moatize), areais pesados (titânio e zircónio), pedras preciosas (rubi e turmalina) e ouro, para além de uma extensa costa rica em recursos pesqueiros, especialmente camarão. (Francisco Mário)

Exit mobile version