Nampula (IKWELI) – A situação das estradas sob responsabilidade da Administração Nacional de Estradas (ANE), na cidade de Nampula, está a atingir níveis alarmantes, com várias vias praticamente destruídas, comprometendo não só a mobilidade como também a imagem urbana da cidade.
A zona do Nasser, ao longo da Avenida do Trabalho, é um dos exemplos mais evidentes dessa degradação. O pavimento encontra-se repleto de buracos, trechos intransitáveis e sinais claros de abandono, contrastando com a importância estratégica da via no quotidiano dos cidadãos.
Utentes que utilizam diariamente a estrada mostram-se indignados com o silêncio das autoridades, questionando a falta de posicionamento público sobre o estado crítico das vias. Para muitos, a ausência de explicações agrava ainda mais o sentimento de abandono e descaso.
Gildo Rezaque entende que a degradação não afecta apenas a circulação de viaturas, mas também retira a beleza da urbe, manchando a imagem de uma cidade que outrora se destacava pela organização e funcionalidade das suas principais artérias. Hoje, o cenário é marcado por poeira, lama e dificuldades constantes.
“Não sei porque esta cidade está assim, vejo outro lado o município que está a tentar organizar e está ficando bonito aos poucos, mas esta situação da estrada N1 nos envergonha muito, eu não sei como as coisas funcionam, mas esta estrada, muitas partes, está podre, precisa de uma intervenção de raiz. Na Memória, quando chove passamos muito mal, essas covas provocam um engarrafamento muito perigoso.”
Motoristas de transporte semi-colectivo relatam prejuízos frequentes, desde avarias mecânicas até atrasos significativos nas rotas, situação que impacta diretamente a economia local e o dia-a-dia dos cidadãos que dependem dessas vias.
“Agora chapa-100 não paga nada, porque o dinheiro acabamos por gastar na manutenção dos carros, se você deixar assim o seu carro ninguém vai subir até o patrão que é o dono da viatura pode levar o carro dele, então essa situação da nossa estrada está cada vez pior, aqui no Nasser então não digo, isso é muito triste,” disse um motorista.
Enquanto isso, peões enfrentam riscos acrescidos, sendo obrigados a disputar espaço com viaturas em condições mecânicas precárias. Em dias de chuva, a situação torna-se ainda mais crítica, com a formação de poças que escondem buracos perigosos.
“Agora você não pode receber visita e levar para passear, porque é mesmo vergonha, a situação piora quando cai um pouco de chuva, por isso precisamos saber porque as estradas estão assim, ou podemos confiar que estão à espera da chuva para iniciar a mexer? questionou Cátia Raúl.
Perante este cenário, cresce o apelo para uma intervenção urgente e concreta, exigindo-se não apenas reabilitação das vias, mas também maior transparência e responsabilidade por parte das entidades competentes, numa altura em que o silêncio institucional já não responde às preocupações da população.(Malito João)
