Filas nas bombas explicadas: o que realmente aconteceu ontem

Maputo (IKWELI) – O cenário de longas filas nos postos de abastecimento registado ontem em alguns pontos de Moçambique, com particular destaque para a Cidade de Maputo, a capital do país, não teve origem numa falha no fornecimento nacional de combustíveis, mas numa reacção em cadeia desencadeada por informação não verificada.

O primeiro sinal surgiu fora dos canais oficiais. Mensagens partilhadas em aplicações de comunicação e nas redes sociais sugeriam dificuldades no abastecimento de combustível. Sem confirmação institucional, a informação ganhou ainda assim tração suficiente para influenciar decisões individuais. 

Em poucas horas, multiplicaram-se os casos de automobilistas a dirigirem-se aos postos com o objectivo de garantir combustível, independentemente do nível que já tinham no depósito.

Este comportamento teve um efeito imediato sobre a rede de distribuição. Os postos de abastecimento estão estruturados para responder a uma procura relativamente estável, com ciclos regulares de reposição. Quando esse equilíbrio é interrompido por uma procura concentrada num curto intervalo de tempo, surgem constrangimentos localizados, visíveis sob a forma de bombas temporariamente sem produto.

A partir daí, instala-se um fenómeno conhecido: a realidade observada nos postos reforça a mensagem inicial que circulava, levando mais pessoas a antecipar o abastecimento. O resultado é um ciclo de pressão crescente sobre o sistema, que passa a responder a um consumo anormalmente elevado.

Entretanto, os dados do sector não apontam para qualquer quebra no abastecimento nacional. 

De acordo com um comunicado do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, ontem distribuído, a situação está sob controlo, muito para além dos 12 e 9 dias, para gasolina e gasóleo, respectivamente, referidos como sendo o período que durariam os stocks existentes.

“As importações são feitas mensalmente, numa periodicidade de 15 dias, estando a decorrer normalmente, portanto sem qualquer disrupção. A acrescer ao stock (…) reportado a 24 de Março, decorre o processo normal de reposição, culminando com as entregas previstas para 30 de Março em Maputo, resultando num adicional de 26 dias para a gasolina e de 17 dias para gasóleo. Adicionalmente, a janela de importações prevista para o mês de Abril, já confirmada, assegura as necessidades para os próximos meses”.

Segundo a AMEPETROL, o país dispõe de combustível e as operações de descarga e distribuição continuam a decorrer normalmente.

A situação é ainda influenciada por factores de mercado que nem sempre são visíveis ao público. Em períodos marcados por incerteza sobre a evolução dos preços internacionais, pode ocorrer uma gestão mais prudente dos volumes colocados à venda em determinados pontos, o que pode, potencialmente, contribui para reduzir a oferta imediata em alguns locais.

“É inequívoco que não há crise de combustível em Moçambique”, comentou ao nosso jornal uma fonte governamental. 

O episódio registado ontem demonstra como, num sistema dependente de cadeias logísticas contínuas, pequenas alterações no comportamento dos consumidores podem produzir impactos visíveis em curto espaço de tempo, sem que exista, na base, uma falha efectiva no fornecimento. (Redação)

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