Nampula (IKWELI) – A vereadora do pelouro de Actividades Económicas na autarquia da cidade de Nampula (CMCN), Cláudia Marques, diz-se preocupada com a prevalência de matadouros clandestinos a nível da urbe e equaciona montar uma equipe multissectorial, que, também, congregará a Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) e a Direção Provincial de Agricultura e Pecuária (DPAP) com vista a acelerar acções de sensibilização e encerramento daqueles estabelecimentos que atentam a saúde pública.
Até ao momento, a responsável contabiliza 6 matadouros clandestinos. “Na verdade, ainda temos alguns matadouros clandestinos, e é uma situação que nos preocupa, sendo que no ano passado fizemos uma campanha de sensibilização, para ver se retirávamos os que estão a praticar essa actividade para exercerem no matadouro oficial do município e do sector privado, por causa das denúncias, descobrimos pelo menos 6 pontos, e já encerramos 1 local no mercado de Belenenses.”
Entre as razões da insistência na prática daquela actividade, Marques aponta a fuga no pagamento do imposto diário nos mercados.
Na ocasião, Cláudia Marques apelou aos que fazem abates e venda de animais em locais informais, a aderirem de forma massiva aos mercados oficiais, com vista a não serem responsabilizados pelas entidades competentes e salvaguardarem a saúde pública. (Virgínia Emília)
Governo de Nampula deve cerca de 300 milhões de meticais a empreiteiros
Nampula (IKWELI) – Os empreiteiros da província de Nampula justificam que o abandono de obras deve-se em parte pela dívida de 300.000.000,00Mt (trezentos milhões de meticais) que o governo provincial tem acumulada com aquela classe.
A preocupação foi manifestada nesta quinta-feira (26), pelo presidente da Associação dos Empreiteiros da Província de Nampula, Mário Albano, num encontro que juntou a direção provincial de Obras Públicas, Administração Nacional de estradas (ANE), Autoridade Tributária, Educação e Finanças com o objetivo de avaliar o desempenho dos empreiteiros.
No encontro, Albano referiu que a situação dos empreiteiros na província de Nampula não goza de boa saúde, visto que o Estado está a afundar as empresas de construção devido aos valores que não são pagos e, consequentemente, os empreiteiros não conseguem concluir as outras obras, até que algumas obras adjudicadas neste ano (2026) não arrancaram porque as mesmas empresas que ganharam o Estado têm dívidas a pagar.
“Infelizmente, nesta reunião não houve uma luz verde sobre a sua liquidação,” lamentou Albano.
Esta situação, de acordo com o presidente, impacta negativamente, porque neste momento existem empresas que não conseguem se manter e estão a fechar, “são acusadas da má qualidade das obras, mas isso advêm da falta de pegamento por lado do Estado,” disse Albano.
Por seu turno, Paulo Júnior, em representação da direcção provincial de Obras Públicas reconheceu que o Estado tem dívida, mas sem precisar os valores e referiu que o governo está a fazer os meios possíveis para o pagamento. (Francisco Mário)
Dom Inácio Saure pede a Bruxelas para pressionar multinacionais a formar e contratar jovens de Cabo Delgado
Bruxelas (IKWELI) – O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), dom Inácio Saure, que nesta semana falou no Parlamento Europeu, em Bruxelas, pediu que sejam pressionadas as multinacionais para formarem e contratar jovens locais, de forma a contribuir na solução dos problemas que concorrem para o recrudescimento do extremismo violento na região.
O que considera de pressão económica, o também arcebispo de Nampula, apela a “responsabilidade corporativa,” para que “as multinacionais de Gás e Mineração em Cabo Delgado e Nampula não devem ser o problema, mas sim parte da solução do problema, e devem ser obrigadas a contratar e formar jovens locais (conteúdo local real),” como também a garantia da ajuda humanitária, como “prioridade máxima. Transição da ajuda de emergência para o desenvolvimento resiliente (água, escolas e centros de saúde permanentes).”
Outro pedido de dom Saure tem a ver com a pressão diplomática, no sentido de
“exigir transparência. A UE [União Europeia] deveria pressionar o governo [de Moçambique] para garantir que a ajuda chegue ao destino e para abordar as causas profundas (exclusão, subdesenvolvimento, corrupção e gestão de recursos),” como também o provimento do apoio militar, na “formação, não apenas fornecimento de armas. Apoio à missão da UE (EUTM) focado em Direitos Humanos e protecção de civis, evitando a “mercenarização” do conflito.”
“Em Moçambique, a cruz não é apenas um símbolo de fé, ela tornou-se motivo de perseguição de quem a traz. Com efeito, desde 2021, os insurgentes começaram a lutar sob a bandeira do Estado Islâmico, atacando Missões católicas e forçando as pessoas a converter-se ao Islão. Entretanto, a questão religiosa não parece ser a causa mais importante do conflito. Uma das principais causas da guerra em Cabo Delgado parece serem os interesses de grupos à volta dos recursos minerais. Contudo, a nossa resposta não é o ódio, mas o perdão, o serviço e o amor. Nas Províncias de Nampula e de Cabo Delgado, a Igreja Católica permanece na linha da frente, transformando as suas paróquias em centros de refúgio sem muros blindados, nem seguranças armadas,” recordou o prelado sobre os contornos do extremismo violento no norte de Moçambique, apontando que “acreditamos que a solução do problema de Cabo Delgado e de Moçambique não passa apenas pela via militar, mas pelo desenvolvimento integral da dignidade humana. O vosso apoio, através do programa ‘Hungary Helps’, pode ser uma luz que brilha no fundo do túnel escuro, uma esperança de milhares de pessoas deslocadas e garante que o Cristianismo e a paz continuem a florescer em solo moçambicano.”
Igualmente, a fonte apontou que existe uma realidade invisível, por “embora quase nunca se fale dela, a violência que eclodiu em Outubro de 2017 em Cabo Delgado não terminou. Ela metamorfoseou-se. Enquanto as vilas principais parecemaparentemente seguras, daí a sua sobrelotação com deslocados vivendo em condições deploráveis, o “mato” e as zonas rurais permanecem em disputa, são lugares de morte desumana. Segundo as estatísticas tornadas públicas (os relatos das populações atingidas admitem muito mais), a guerra com epicentro em Cabo Delgado já fez milhões deslocados internos (IDP), como acaba de dizer o Senhor Deputado Gyorgy Holvény e mais de 6.000 mortos!”
E dom Inácio Saure desenha o perfil de algumas pessoas envolvidas
na guerra, afirmando que “não se trata apenas de “inimigo sem rosto” (como foram chamados pelos governantes no início do conflito). São jovens locais radicalizados pela pobreza, a exclusão e combatentes estrangeiros experientes. Estão mais móveis, em células menores, e agora atacam também a província de Nampula (ex: Chipene, onde mataram a religiosa italiana Maria de Copi, em 2022) para dispersar as forças militares,” e que “o perfil dos IDPs (Deslocados Internos): 80% são mulheres e crianças. Nampula acolhe centenas de milhares. Eles não estão apenas em centros formais; a maioria vive em famílias de acolhimento já pobres, o que está a esgotar os recursos da província.”
As outras críticas do arcebispo de Nampula e presidente do CEM tem a ver com as respostas à crise humanitária, como os modelos de abrigo, saneamento e educação que são adoptados. “O modelo de centros de reassentamento está falido. Precisamos de soluções de habitação permanentes integradas nas comunidades locais. Nampula enfrenta surtos cíclicos de cólera devido à sobrepopulação e às condições sanitárias precárias, o que provoca desequilíbrios ecológicos e escassez de recursos. O saneamento básico é uma questão de segurança biológica. Uma geração está a ser perdida. Milhares de crianças deslocadas não têm documentos nem acesso à escola, tornando-se o próximo alvo fácil de recrutamento para os atacantes.”
E a igreja, segundo disse, tem sido o último bastião, com as respostas que tem vindo a prover, que se concentram em apoio psicossocial, distribuição de apoio humanitário e a promoção da coesão social. (Aunício da Silva)
Empresários de Nampula convictos no papel central do corredor de Nacala no desenvolvimento do norte de Moçambique
Nacala (IKWELI) – O presidente do Conselho Empresarial de Nampula (CEP), antena local da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Shakeel Ahmad, disse na tarde desta quinta-feira que o corredor de Nacala é crucial para a economia e desenvolvimento da região norte de Moçambique.
A cidade de Nacala acolheu uma mesa redonda sobre o corredor, nesta quinta-feira e contou com a presença do embaixador japonês em Moçambique.
“A vossa presença aqui demonstra algo muito claro: o mundo está a olhar para o Corredor de Nacala. E com razão. Esta região reúne condições únicas no nosso país e na região da África Austral,” disse Ahmad na ocasião, apontando potencialidades como “um porto de águas profundas com enorme capacidade logística, um aeroporto que facilita a ligação com o resto do mundo, uma ligação ferroviária estratégica ao interior e aos países do interland, vastos recursos agrícolas e minerais, excelentes pontos turísticos e um território com potencial para se tornar um dos maiores polos de transformação económica de Moçambique.”
E o presidente do CEP/CTA aponta que “o verdadeiro valor de uma região não está apenas nos seus recursos,” está “nas facilidades tambem criadas para investir neste corredor com a criacao de uma zona economica especial e nas parcerias que conseguimos construir.”
Shakeel Ahmad encoraja o casamento da evolução tecnológica e industrial do Japão com as potencialidades naturais do corredor de Nacala.
“Moçambique, por sua vez, oferece recursos, localização geoestratégica e um mercado com enorme potencial de crescimento.” (Redação)
