Erosão no rio Muhala expõe fragilidade urbana e coloca famílias em risco

Nampula (IKWELI) – A crescente erosão nas margens do rio Muhala, na Unidade Comunal de Siquia, bairro de Muahivire, na periferia da cidade de Nampula, volta a expor a vulnerabilidade de dezenas de famílias que vivem em zonas propensas a desastres naturais.

Pelo menos sete residências estão sob ameaça directa, enquanto cerca de 25 agregados familiares enfrentam o risco iminente de ficar sem abrigo.

O fenómeno, que se intensifica durante a época chuvosa, tem vindo a degradar progressivamente o solo ao longo do leito do rio, criando fendas e deslizamentos de terra que se aproximam perigosamente das habitações.

Segundo os moradores, a cada nova chuva, aumenta o receio entre os populares, que convivem com a incerteza de perder tudo de um momento para o outro.

De acordo com relatos recolhidos pelo Ikweli, a situação não é recente. Há anos que os residentes alertam para o avanço da erosão, mas afirmam que não há soluções concretas que tenham sido implementadas. A cada época chuvosa, o cenário repete-se com maior intensidade, agravando os danos materiais e humanos.

Os moradores relatam episódios trágicos associados ao aumento do caudal do rio, sobretudo envolvendo crianças. Em períodos de cheias, a corrente torna-se mais forte, arrastando terrenos e colocando vidas em perigo. Há registos de menores que foram levados pelas águas e perderam a vida, o que aumenta o clima de medo na comunidade.

Entre os afetados está Cristina António, que viu parte do seu terreno e bens destruídos após várias intempéries, a residente afirma não ter alternativa de reassentamento. “Se não saímos daqui é porque não temos outro lugar onde viver,” desabafou.

Perante o agravamento da situação, a população exige medidas urgentes por parte das autoridades municipais. Entre as principais reivindicações está a construção de barreiras de proteção ao longo do rio, com vista a travar o avanço das águas e garantir maior segurança às habitações.

O apelo é reforçado por outros residentes, que temem uma tragédia de maiores proporções caso nada seja feito em tempo útil. “Pedimos ao governo que nos ajude, antes que aconteça uma tragédia maior,” clamou outro residente, reflectindo o sentimento colectivo de desespero.

O chefe do quarteirão, Armando Wathephe, confirma que o problema já foi reportado às autoridades competentes e garante que o município está ciente da gravidade da situação. “O município está ciente da situação. Já esteve aqui e prometeu uma intervenção urgente. Pedimos calma à população, porque acreditamos que a solução está próxima,” afirmou. (Malito João)

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