Nampula (IKWELI) – A Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA) espera investir em Moçambique, em mais de dois biliões de dólares norte americanos, para o desenvolvimento do país em diversos sectores, com destaque para saúde, infraestruturas, educação, bem como água e saneamento.
Nos últimos 20 anos, o Japão evidenciou-se na lista dos principais parceiros de cooperação de Moçambique, com um investimento de 2 biliões de dólares norte americanos, um montante que ajudou em grande medida na edificação de diversas infraestruturas públicas no país, como são, por exemplo, a modernização do porto de Nacala, Instituto de Ciências de Saúde de Nacala, Barragem de Nacala, para além de vias de acesso e escolas secundárias, isso só para a província de Nampula.
Para os próximos anos, aquele país asiático não quer perder o seu lugar na cooperação com Moçambique.
De acordo com Otsuka Kazuki, representante da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), o mesmo orçamento de há 20 anos, será investido no país para impulsionar o desenvolvimento nacional.
Desta vez, em conformidade com a fonte, o foco será em três pilares de desenvolvimento, destacadamente o desenvolvimento do corredor económico de Nacala.
No entender de Kazuki, desenvolver o Corredor económico de Nacala não só vai beneficiar Moçambique, como também vai contribuir na economia de outros países.
“Outro pilar é a reconstrução de Cabo Delgado, porque tem muitos desafios neste momento. Existem grandes projectos de gás natural. Outro aspecto é Maputo, tem grandes desafios por causa da expansão rápida de urbanização, e tem problemas de inundações, transporte público, saúde, educação, agricultura, emprego etc. Então, esses três pilares são áreas prioritárias da JICA, aqui em Moçambique”, referiu Otsuka Kazuki.
“Em Nampula, principalmente, nós temos programa de desenvolvimento do corredor económico de Nacala 10 anos atrás. Nós desenhamos o plano director de desenvolvimento de Nacala. Elaboramos planos grandes para desenvolver nesta região com o conceito de corredor económico de Nacala, mas já passaram dez anos. Nesses dez anos nós investimos na modernização do porto de Nacala, estacão de eletricidades, também a formação, saúde, água e saneamento e educação, também o desenvolvimento da agricultura, tínhamos o ProSavana”, recordou a fonte.
“Daqui para o futuro, nós gostaríamos de trabalhar junto com o Ministério de Planificação e Desenvolvimento visando entrar noutra fase. Já decidimos, por exemplo, a construção de protector da barragem de Nacala, uma influência de câmbio climático, também ponte sobre o rio Natete, no distrito de Ribáuè”, prosseguiu Kazuki.
O sector de formação profissional e saúde, também vai ser a aposta de Japão nos próximos tempos, em conformidade com Kazuki.
“Outro aspecto é a formação, trabalhamos juntos com o IFPELAC e IFP (Instituto de Formação de Professores) para aumentar a qualidade especialmente em Matemática e ciências naturais. Assunto de saúde nós desenvolvemos cadernetas para a saúde materno infantil, para diminuir a taxa de mortalidade materno infantil, isso tudo para desenvolver o corredor económico de Nacala”, disse Kazuki.
“Nós não temos programas grandes só para Nampula. Então, durante 20 anos nós investimos 2 biliões de dólares americanos. Gostaríamos de continuar o mesmo orçamento nos projectos aqui em Moçambique”, frisou.
Otsuka Kazuki deu essas garantias nesta quinta-feira (26), na cidade de Nampula, durante um encontro com o Secretario de Estado na Província, Plácido Pereira.
Plácido Pereira está confiante que a cooperação da JICA com o governo moçambicano renova as esperanças da melhoria de vida das populações, sobretudo na continuação da investigação sobre a problemática da malaria, uma das principais causas de internamento e morte na província de Nampula.
Nessa senda, o Secretario de Estado na província de Nampula referiu-se de um simpósio entre a Universidade Lúrio e uma universidade japonesa, a decorrer nesta sexta-feira (27), cujo tema central é sobre a malária.
“Acreditamos que esse simpósio é só um início de uma cooperação científica entre essas duas universidades, por forma a desenvolvermos, provavelmente, outras vacinas. Mas, a questão da malária não é só vacina, a questão da malária toca-nos a todos, governo provincial, Estado, município, porque a questão da prevenção é que nos toca, a questão da urbanização, nos preocupamos com estas ocupações desordenadas, a falta de saneamento, isso também contribui para esses elevados índices da malária”, disse Plácido Pereira. “Em qualquer parte do mundo a condição sine qua non para o desenvolvimento é estrada, na nossa província as estradas estão bastante degradadas e isto é um desafio nosso, é verdade que são projectos com custo bastante elevados e no âmbito de competências desses órgãos, muitas das vezes esses projectos são do nível central. Por isso o que reforçamos aqui é que mesmo nesses acordos de nível central se tenha em consideração aqui a província de Nampula”, precisou Plácido Pereira. (Constantino Henriques)
