
Nampula (IKWELI) – O Sindicato Nacional dos Empregados Domésticos (SINED), em Nampula, está preocupado com a elevada onda de maus-tratos aos trabalhadores domésticos que ainda prevalece na cidade de Nampula e promete trabalhar na consciencialização dos lesados para que procurem as autoridades competentes sempre que se sentirem injustiçados.
Os pronunciamentos foram feitos após recorrentes denúncias apresentadas pelos empregados. No ano de 2025, o sindicato recebeu 180 casos, comparativamente a 2024, quando registou 60, demonstrando o nível de agravamento da situação que assola este grupo de trabalhadores. Estes alegam não estar a receber salário justo, para além de denunciarem o mau comportamento de alguns empregadores.
Macário Lourenço, secretário provincial do Sindicato Nacional dos Empregados Domésticos em Nampula, destacou que o sindicato está a traçar um plano de campanha para dialogar com os trabalhadores e, posteriormente, com os seus empregadores.
“Já falei com a Direcção de Mediação de Conflitos para obter alguns documentos necessários. Brevemente, queremos iniciar as actividades. Apesar das dificuldades que temos enfrentado durante o nosso trabalho, estamos dispostos a continuar”, disse o responsável do sindicato.
O secretário apelou a todos os empregados domésticos para que se inscrevam massivamente no sindicato, a fim de conhecerem os seus direitos e deveres, uma vez que muitos ainda os desconhecem. “Portanto, todos os empregados devem abraçar o sindicato. Quero também apelar aos patrões para que regularizem os direitos dos seus trabalhadores”, frisou a fonte.
Trabalhadores ouvidos pelo Ikweli confirmaram que denunciaram ao sindicato que estão cansados de serem submetidos a humilhações, mas afirmam não ter alternativa, pois é através do trabalho que conseguem obter algum rendimento para sobreviver, numa altura em que a procura de emprego constitui um grande desafio para os jovens e para a população em geral.
“Eu trabalho na casa de uma senhora para tentar sobreviver, mas é difícil, porque o trabalho é duro e ganho mil e quinhentos meticais. Às vezes, passo meses sem receber, é muito complicado”, disse um dos trabalhadores.
“Não está fácil trabalhar na casa de alguém, porque às vezes não percebem que também nos cansamos. É normal eu fazer todos os serviços e depois sentar-me um pouco. Mas, para a dona, isso constitui um problema; ela tem sempre de inventar alguma coisa para não me ver a descansar”, revelou uma trabalhadora. (Francisco Mário)





