Líderes comunitários da cidade de Nampula clamam por reconhecimento monetário

Nampula (IKWELI) – Líderes comunitários da cidade de Nampula continuam a manifestar descontentamento face à falta de reconhecimento e valorização do trabalho que desenvolvem nas comunidades, situação que, segundo afirmam, se arrasta há bastante tempo.

De acordo com esta camada social, a ausência de incentivos ou subsídios desmoraliza-os no exercício das suas funções, sobretudo por estarem frequentemente expostos a riscos no contacto directo com situações de criminalidade e conflitos comunitários.

Apesar de existirem alguns líderes que auferem entre 400,00Mt (quatro meticais) e 700,00Mt (setecentos meticais) mensais, há outros que, segundo dizem, não recebem qualquer valor, “nem um metical sequer”, o que agrava o sentimento de desigualdade.

“Continuamos a lamentar a falta de reconhecimento do nosso trabalho. Não queremos muito, mas pelo menos algumas moedas para sabão seriam úteis. O nosso trabalho é grande, lidamos com muitos marginais nos bairros, por isso pedimos que nos valorizem”, desabafou um dos líderes comunitários.

Albano João, régulo Nampula, considera que a situação “deixa a desejar”, por entender que a falta de subsídio acaba por desencorajar os líderes a desempenharem as suas funções com maior dedicação nas comunidades.

“Essa doença de falta de subsídio é grande e não será fácil de tratar. Nós encontramos esta situação e nós sabemos que o que dá moral a um trabalhador é, pelo menos, uma moeda básica para comprar sabão. Um trabalhador sem o mínimo não trabalha à vontade”, afirmou.

O régulo acrescentou que, caso houvesse maior reconhecimento por parte das entidades competentes, os líderes comunitários estariam ainda mais motivados a prestar um melhor serviço às populações. “Às vezes ficamos fracos por falta de moral, apesar de gostarmos deste trabalho porque as comunidades saem a ganhar”, disse.

Albano João revelou ainda que, actualmente, os líderes do primeiro escalão recebem cerca de 700 meticais, os do segundo escalão entre 400 e 450 meticais, enquanto os do terceiro escalão auferem aproximadamente 250 meticais mensais, enquanto que os restantes escalões não auferem “Choramos muito mesmo, porque o trabalho é grande”, concluiu. (Malito João)

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