Nampula (IKWELI) – A vida não tem sido fácil para Assane Ussene, vereador do pelouro de Salubridade, Higiene e Gestão Funerária, no conselho municipal da cidade de Nampula, devido a forma como tem dirigido o seu sector, bem como a sua interação com o público, nos comícios promovidos pelo autarca Luís Giquira.
Depois da exoneração do mestre Augusto Tauancha, que exercia as funções de vereador de Mercados e Feiras, Assane Ussene é um dos mais velhos vereadores que ficou no governo de Luís Giquira, sem contar com a Ângela Benesse, vereadora do pelouro de Educação, Juventude e Desportos.
Assane Ussene assumiu o cargo na primeira linha dos vereadores, durante o seu período de liderança, que seja ou não protagonista, mas a componente de saneamento registou melhorias significativas, com destaque para a recolha de resíduos sólidos na urbe.
Foi o mesmo vereador que, recentemente, jogou um papel importante, ao intervir e conseguir persuadir Luís Giquira para não banir as acácias ao longo da avenida Paulo Samuel Kankhomba, na cidade de Nampula, pois para o autarca não fazia sentido que tivessem árvores de sombras naquela rodovia, pois a finalidade é o trânsito, e não para as pessoas sentarem.
Apesar disso, tudo leva a crer que Assane Ussene pode não estar alinhado à filosofia governativa de Luís Giquira, o que se demonstra pelas críticas por si feitas em público.
A primeira crítica de Luís Giquira sobre Assane Ussene, que o Ikweli vivenciou, foi no posto administrativo de Natikiri, durante a sua visita de trabalho.
Ali, os vendedores do mercado grossista do Waresta denunciaram o sumiço do tractor que fora alocado ao local para flexibilizar o processo de remoção de resíduos sólidos. Giquirito, como é mais conhecido o autarca, supostamente não gostou do que acabava de ouvir, por isso entregou algumas palavras que deixou o vereador estremecido e com vontade de se enterrar e colocar o cargo à disposição.
“Eu quero saber se esse tractor está a fazer vida privada, ou está a trabalhar aonde. Nós quando alocamos o tractor, alocamos exactamente para resolver os problemas do Waresta, então estou a ficar preocupado quando oiço directamente dos meus munícipes a dizerem que o tractor talvez está a fazer chapa ou está a carregar sacos, não sei”, começou por dizer Giquira para aplauso da população presente, para depois convidar ao vereador da salubridade para falar em torno do assunto.
“Essa questão de tractor o que Waresta quer é entregar para eles gerirem sozinhos, não és porque eles não veem o tractor, essa é outra linguagem para dizer nós precisamos gerir o tractor sozinhos. O tractor que nós temos ali é frágil, a segunda questão é pela distância…”, tentou continuar a explicar Assane Ussene, mas foi interrompido pelo autarca alegando que “senhor vereador, nós não viemos fazer políticas, não viemos fazer política, aqueles senhores ali contribuíram dinheiro deles, pagaram imposto, eu pessoalmente falei que vou alocar um tractor no Waresta, então, eu quero saber porque esse tractor não está no Waresta, só isso”, disse Giquira.
O vereador prosseguiu com a explicação: “Não está unicamente no Waresta, mas que faz trabalho, faz, como disse que a produção do lixo no mercado é maior, auxiliamos o carregamento de resíduos sólidos com uma pá carregadora e basculante, mas o que eles querem e como o presidente está a sugerir, nós vamos entregar”, disse a tremer, Assane Ussene para o remate a queima-roupa de Giquira “senhora chefe do posto, hoje antes de eu sair de Natikiri, eu vou lhe entregar as chaves desse tractor, a partir daí vai fazer a gestão do tractor, já não precisa de consultar a salubridade, vocês vão gerir o tractor aqui mesmo em Natikiri”.
O outro abate que visivelmente o vereador ficou a ferver, deu-se a quando da visita de Giquira ao posto administrativo urbano central, na semana finda. Tudo começou quando uma munícipe pediu a edilidade para a construção do muro de vedação do cemitério municipal de Mulapane.
Tomando a palavra e em jeito de dar satisfação aos munícipes, Assane Ussene falou de tal forma que entornou piripiri nos olhos de Giquira. Na verdade, o vereador de salubridade prometeu que o muro seria construído a partir do princípio do próximo ano.
“Há dois meses já se fez o levantamento, e penso que no princípio do próximo ano vamos iniciar a obra”, disse o vereador para espanto de Giquira, para quem “no princípio do próximo ano vai chover, vais começar?”, para a resposta do vereador “logo que as chuvas terminarem, senhor presidente”, “então não é principio do próximo ano, não viemos mentir aqui, não viemos mentir aqui”, intercepto o autarca, e Assane Ussene disse: “então, dentro do próximo ano vamos construir”, para Giquira continuar a rebater: “Janeiro está a chover, então não vai fazer o muro de vedação”, referiu para risos e aplausos dos presentes.
Fontes ligadas ao Conselho Municipais, garantem que Assane Ussene tem, também, sido alvo de fervorosas críticas de Giquira, por causa dos relatórios que tem apresentado nas sessões tanto ordinárias assim como extraordinárias do executivo municipal. (Constantino Henriques)





