Nampula (IKWELI) – O negócio da venda do livro está cada vez mais difícil na cidade de Nampula, principalmente para os vendedores que praticam a actividade nas avenidas Paulo Samuel Kankhomba e Eduardo Mondlane, que falam de dias em que chegam a não vender sequer um só livro.
Charama João, vendedor de livros há sete (7) anos, disse que a situação é crítica, pois passam dias sem vender, pelo menos, um (1) livro. “Nesses dias não há negócio, fico até mesmo uma semana sem vender, mas existe alguns dias que consigo vender um ou dois livros. As vezes para vender depende dos livros, se tiver livros do ensino geral da Editora Díname a situação fica mais crítica, porque das poucas pessoas que compram, preferem da Texto Editoras,” afirmou a fonte.
A situação assemelha-se a de Mendes Patrício, que vende livros há 27 anos na Avenida Paulo Samuel Kankhomba, e que olha a falta de interesse na leitura e a Internet como causas que levam as pessoas a não comprarem livros físicos.
“Actualmente não consigo vender muitos livros, mas antigamente conseguia vender e até organizar a minha vida. Penso que as pessoas adquirem livros a partir da Internet. Outra causa que eu vejo é a falta de interesse principalmente da parte dos jovens, porque são poucos que gostam de ler.”
De acordo com Patrício, actualmente os livros de Direito e Romance são os mais procurados. A fonte deixa um conselho para os jovens e a população em geral para que cultivem o hábito pela leitura, porque desenvolve a capacidade reflexiva do ser humano. “A juventude deve aderir a leitura, sem leitura a pessoa não desenvolve mentalmente, mesmo passar na faculdade e continuar sem ler a sua mente vai continuar fraca,” sublinhou.
Charifo Roberto, também se dedica a actividade de venda de livros há sete (7) anos na Avenida Paulo Samuel Kankhomba concretamente ao lado dos Correios, e lamenta a falta de compradores. Roberto, aponta também o desinteresse e gosto por “coisas banais” como causas que colocam em risco a actividade de venda de livros.
“O nível de aderência actualmente está baixo, diferentemente dos anos passados, talvez pela digitalização, porque as pessoas gostam mais de baixar livros, colocam nos seus telefones e computadores. Também muitos jovens gostam de coisas banais e não investem na leitura,” disse, acrescentando ainda que, “Os clientes que pouco aparecem são adultos procurando livros de Direito e Romance, com mais preferência dos autores moçambicanos como Paulina Chiziane, Mia Couto, José Craveirinha, Calane da Silva, entre outros.”
Outrossim, apesar da actividade de venda de livros actualmente não ser rentável, os nossos entrevistados referem que continuarão a vender livros, polo gosto que têm pela actividade, e também entendem que ajuda no desenvolvimento da sociedade, visto que a cidade possui poucas livrarias. (Francisco Mário)
