Ilha de Moçambique discute Camões aos 500 anos

Ilha de Moçambique (IKWELI) – A cidade da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, acolhe, desde o dia 8 até hoje (10 de junho), o Festival Literário Internacional do Interior (flii), um evento que junta vários pensadores das artes e letras, académicos, estudante e a sociedade em celebração dos 500 anos de nascimento do escritor português Luís Vaz de Camões.

Na manhã desta segunda-feira (10), último dia do evento, começaram as actividades mais destacadas, que iniciaram com discursos protocolares proferidos pelo autarca e pelo administrador da Ilha de Moçambique, nomeadamente Momade Ali e Silvério Nauaito

O Professor Lourenço do Rosário foi o primeiro principal orador a intervier, dedicando-se a falar sobre “A Geração de Camões no Triângulo Geográfico, Goa, Macau e Ilha de Moçambique, Seculo XVI, A Espada, a Pena e o Comércio”.

Do Rosário recordou a importância da Ilha de Moçambique durante o tempo colonial, pois era o ponto de descanso de Portugal à Índia e vice-versa, sendo este um momento em que os soldados se encontravam com as gentes locais, seus hábitos e culturas.

“Os marinheiros paravam aqui. Então, se o Vasco da Gama é falado nos Lusíadas que parou no seu regresso na Ilha, para mim faz sentido. Simbólico ou não, para mim Ilha de Moçambique é ilha dos amores”, comentou o académico, anotando que Baltazar Rebelo de Sousa concebeu uma casa de Camões na Ilha.

Camões veio pobre, recorda a fonte, prosseguindo que “viveu pobre aqui, a custa da Barbara. Para mim Camões viveu no Macute, não foi aqui”, mas “isso é uma interpretação, naturalmente. Para mim o Camões que viveu aqui na Ilha de Moçambique é aquele Camões de Jorge de Cena. Jorge de Cena tem um longo poema em que ele fala de Camões na Ilha de Moçambique, comportando-se como os ilhéus, incluindo o fecalismo a céu aberto”.

O Professor Francisco Noa que moderou a sessão orientada pelo Professor do Rosário chamou a reflexão sobre o porquê estudar Camões.

O vice-reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), Marcelino Lipola, disse na abertura do evento que investigar Camões é um privilégio, por isso desafiou a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas a prosseguir.

Momade Ali, autarca da cidade da Ilha de Moçambique, comoveu-se com a presença dos mais destacados académicos das artes e letras, por isso mesmo “é difícil, para aqueles que ainda não tiveram um privilégio de passar pela academia ter numa mesma sala, num mesmo instante professores de tamanho gabarito. Eu, como eterno aprendiz, conhecendo os professores pessoalmente pelos seus escritos, sinto-me bastante honrado”.

“Quando falamos de Camões, falamos da língua portuguesa, falamos na lusofonia e falamos da cultura. Hoje, nós, que somos vossos seguidores, pensamos as vezes naquilo que vocês escrevem sobre as sociedades disruptivas e, também, uma sociedade em risco e impingimos a necessidade de repensarmos sobre o local e o global, sobre o passado, o presente e o futuro”, disse Ali, concluindo que “este evento constitui um esforço de salvaguardar todo um conjunto de memórias, escritos, pensamentos e conhecimentos e que como jovens, e também como servidores públicos, temos a responsabilidade de manter para que as futuras gerações, também, possam usufruir”.

Durante o evento desta segunda-feira foram apresentadas comunicações me torno das “memórias e desafios da língua portuguesa em Moçambique, literatura africana de língua portuguesa, o Índico e a Ilha de Moçambique”, entre outras, incluindo o lançamento de uma obra literária. (Aunício da Silva, na Ilha de Moçambique)

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