Cabo Delgado: Grupos terroristas criam pânico e transtornam produtores em Chiúre e Ancuabe

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Pemba (IKWELI) – A presença dos terroristas depois do Ramadão acontece numa altura em que famílias produtoras estão empenhadas na colheita dos produtos nos seus campos semeados na campanha agrícola em curso, uns para alimentação e outros para comercialização.

Grupos terroristas estão a criar pânico em aldeias do distrito de Chiúre, sul da província de Cabo Delgado, obrigando mais uma vez a fuga da população e consequente abandono dos campos de produção. Desde domingo último, relatos dão conta que homens armados de conduta duvidosa foram vistos nas proximidades da aldeia Nacussa, no posto administrativo de Mazeze, o mais distante da vila.

Entre segunda e terça-feira, de acordo com relatos locais, os terroristas estiveram a amedrontar populares das comunidades de Micoleni, Navanto e Mugipala, sem, no entanto, haver resposta das Forças de Defesa e Segurança.

“Neste momento, a situação está calma na vila, mas estamos a ver a presença de muita força, de Moçambique, de Ruanda e Força Local de Mueda, ontem chegaram e hoje também estão a descer, ao mesmo tempo estamos a ver um helicóptero a voar de longe, também já recebemos algumas pessoas aqui na vila”, disse um comerciante informal de peixe a partir do mercado da estação na vila de Chiúre.

No distrito de Ancuabe, os terroristas escalaram na semana passada, as aldeias de Nanoa A e Mopanha, mas antes estiveram na aldeia Rapale onde, pelo menos, uma pessoa foi morta.

Fontes em Metoro, 16 quilómetros de Ancuabe-sede, disseram ao nosso jornal que os terroristas, provavelmente o mesmo grupo que circula em Chiúre, queimaram salas aulas e todo material administrativo da Escola Primária Completa de Nanoa A, que dista há 7 quilómetros da sede do distrito de Ancuabe.

“As pessoas estão a retornar e as aulas já começaram, mas há medo, porque não se sabe”, disse uma fonte, comentando que “nesta aldeia os terroristas foram também atacados pelas forças locais e dois deles perderam a vida”.

Um vídeo posto a circular nas redes sociais consultado pelo nosso jornal mostrou várias famílias, com respectivas bagagens, a abandonarem a aldeia Nanoa A, em direcção a sede do distrito de Ancuabe, numa situação de medo e desespero.

À Rádio Moçambique, o Secretário Permanente do distrito de Ancuabe, Saíde Amade, confirmou que a vida estava a regressar à normalidade, a população fazendo-se às machambas, enquanto os alunos e seus professores organizavam as salas para continuarem com as actividades lectivas.

Antes de Nanoa A, os terroristas tinham atacado a aldeia de Mopanha, onde saquearam diversos produtos alimentares e dedicaram-se a destruição de bebidas alcoólicas e cigarros. (Redacção)

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