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Nampula: Trabalhadora do sexo abandona actividade sensibilizada pelo Viva+

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Nampula (IKWELI) – O negócio do sexo na província mais populosa do país, Nampula, tem vindo a ganhar espaço de maneira exponencial. A necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver arrasta muitas mulheres, de diferentes faixas etárias, sejam elas nacionais ou estrangeiras para essa vida que dia-após-dia prospera nas principais cidades do norte de Moçambique.

No entanto, algumas organizações nacionais, tentam, através do activismo social, buscar soluções para problemas que esta camada tem vido a enfrentar.

E foi através do activismo que Selma Guilherme abandonou os prostíbulos onde esteve por aproximadamente quatro anos. Selma Guilherme contou ao Ikweli que decidiu começar a vender o seu corpo em 2007, quando tinha apenas 19 anos de idade, altura em que o seu marido perdeu a vida deixando-a com duas crianças menores de idade.

As condições precárias e a falta de dinheiro, aliado aos conselhos de algumas amigas, fizeram com que Selma opta-se pelo “mercado” do sexo.

Na altura, disse ter sofrido recorrentes episódios de agressão física por parte de alguns clientes, que se mostravam renitentes quanto ao acordo e pagamento do serviço prestado, entre outros.

“Quando aparecesse um cliente, nós combinávamos o preço, mas bastasse entrar no quarto já não havia entendimento, e iniciava agressão”, conta.

Segundo Selma, na altura não havia protecção dos agentes da polícia, muito menos paralegais ou activistas que pudessem sensibilizar e partilhar informações a esse grupo considerado vulnerável às doenças sexualmente transmissíveis.

Selma disse ter participado em diversas reuniões de sensibilização sobre cuidados a ter durante o exercício da actividade. No entanto, em 2018 conheceu a Associação Watana, uma organização que trabalha em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade no âmbito do projecto Viva+.

Foi graças a sensibilizações que decidiu abandonar o trabalho de sexo e tornar-se uma activista para, igualmente, ajudar outras mulheres.

“Hoje sou activista, faço sensibilização. Meu grupo alvo tem sido as mulheres trabalhadoras de sexo, sempre levo para elas a mensagem de que devem usar o preservativo durante a actividade sexual, com ajuda de alguns paralegais fazemos testagens. Explico a elas que temos direito a saúde e a protecção”, narra.

Selma revelou que, hoje em dia, as mulheres têm conhecimento e noção sobre os pontos a recorrer, caso sofram algum tipo de violência.

“Graças ao FDC e Watana as coisas melhoraram. Antes muitas mulheres sofriam de agressão, hoje em dia quando adoecem tem alguns pares que lhes levam ao hospital, não é como antes que não sabiam de nada, mesmo doente tinham medo de ir ao hospital, e quando fossem agredidas não tinham como resolver”.

Por outro lado, a activista da Associação Watana, Esperança Mouzinho, explicou ser um desafio trabalhar com esse grupo considerado vulnerável, visto que muitas delas têm mostrado resistência, no entanto a paciência é uma das estratégias usadas para lidar com elas.

Durante a prática do activismo, Esperança disse que o seu trabalho é procurar perceber as dificuldades enfrentadas pelas mulheres trabalhadoras de sexo, encaminhá-las aos paralegais para a testagem do HIV e fazer com que elas sigam tratamento, caso testem positivo.

Segundo a activista, por dia, quatro a cinco mulheres trabalhadoras de sexo testam positivo. Entretanto, algumas mostram-se renitentes no que diz respeito ao seu estado de saúde, não se mostrando abertas para fazer a testagem.

“Quando é uma necessidade que tem a ver com unidade sanitária, nós damos o encaminhamento. As vezes nem sempre elas querem testar, é questão de saber convencer elas para que testem, porque não é fácil ter aquela aceitação. Mas mesmo assim, temo-nos focado na componente de convencê-las ou fazer com que adiram a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uso do preservativo”, concluiu esta nossa fonte. (Ângela da Fonseca)