Ministra da Educação apela pais e encarregados de educação para serem vigilantes contra os terroristas

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Nampula (IKWELI) – A ministra moçambicana da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua apela aos deslocados, pais e encarregados de educação para redobrarem os esforços de vigilância para que as crianças não sejam molestadas por terroristas.

Na quinta-feira (7) da semana passada, a ministra esteve na vila de Namapa, no distrito de Eráti, onde visitou os deslocados, oriundos do distrito de Chiúre, que se encontram acomodados em estabelecimentos de ensino.

Durante a sua interacção com a comunidade deslocada, Namashulua disse que os mesmos devem redobrar a atenção sobre as crianças contra aquelas pessoas que chamou de estranhas, de modo a garantir segurança dos petizes.

“Devemos nos manter vigilantes e denunciar as autoridades, porque essas pessoas estranhas podem molestar as nossas crianças. Devemos estar atentos aqui onde estamos porque nós nos conhecemos e sabemos quem são aqueles que são da nossa aldeia, e se aparece uma pessoa estranha e porque estamos numa escola a atenção deve ser maior e redobrada de forma a evitar que essas pessoas que nos molestam e que nos fizeram sair do nosso local de habitação possam fazer mal as nossas crianças, como também as que vivem aqui em Namapa”, apelou.

Na ocasião, Namashulua afirmou que a maior preocupação do governo é garantir que todos os alunos deslocados de Chiúre sejam enquadrados em algumas escolas de Namapa, para que estes continuem com o processo de ensino e aprendizagem.

“Nampula não é a primeira vez que recebe crianças de Cabo Delgado, e como desta vez o número de alunos é maior há essa preocupação, efetivamente, de garantir que essas crianças que vêm de Chiúre, nas condições que temos possam continuar a estudar. Temos informação de que o acolhimento tem sido bom, apesar dessas nossas condições, os professores estão predispostos, os outros meninos estão em condições de partilhar as suas carteiras”.

Enquanto isso, o director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia de Eráti, Ramalho Gil, disse que o seu sector enquadrou 2.940 alunos que frequentam entre a 1ª e a 12ª classes. Entretanto, alguns pais e encarregados de educação queixam-se de morosidade no processo de inscrição das crianças.

Olinda Sulemane, deslocada de Chiúre, tem um filho que por conta dos insurgentes teve que interromper os seus estudos quando este frequentava a 2ª classe. No entanto, até ao momento não conseguiu inscrever o menor.

“Ainda não consegui inscrever meu filho, ele está a perder aulas desde que estamos aqui. Sempre que vamos para lá para tratar da inscrição eles não dizem nada”, disse.

Faustino António, igualmente deslocado, disse ter fugido de Chiúre com a sua família constituída por 12 membros, dos quais quatro já se encontravam a frequentar o ensino primário e secundário.

Diferente da Olinda, Faustino disse que com o apoio da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), as crianças foram inscritas, mas ainda não foram enquadradas em qualquer escola.

“Ainda não sabemos quando será, porque não deram nenhuma informação”.

Já Carreiro, menino deslocado de aparentemente 13 anos, com um semblante triste, sem gravar entrevista, disse ao Ikweli que se encontrava a frequentar a 3ª classe quando se viu obrigado a fugir da sua zona habitacional. Seu maior sonho é ser professor ou agente da Polícia da República de Moçambique.

Importa referir que o distrito de Eráti conta com 158 escolas.

Neste momento, em apenas uma semana, Nampula registou 47 mil pessoas deslocadas provenientes do distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, norte do país. (Ângela da Fonseca)

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