Nampula: Há mulheres que não medem esforços para alimentar as suas famílias

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Nampula (IKWELI) – O elevado custo de vida, aliado a falta de oportunidade de emprego para as mulheres na cidade e província de Nampula, faz com que este grupo procure tudo ao seu alcance para garantir a geração de receitas que contribuam no sustento das suas famílias.

Em alguns desses esforços, estas mulheres são mais ousadas, recorrendo a prática de actividades que, em muitos casos, são tidas como sendo para homens.

Uma dessas actividades tem a ver com a processo de pedra para a construção, ou que popularmente diz-se “partir pedra na montanha”.

No monte Serra da Mesa, no bairro Muhala Expansão, nos arredores da cidade de Nampula, deixou de ser tabu encontrar mulheres a processarem, manualmente, a pedra para fins comerciais.

Laura Assane, mãe de 6 filhos, é exemplo disso. Ela disse que está nesta prática há 25 anos, com os rendimentos “conseguimos comprar alimentação, vestuário e maior parte de material escolar para que os meus filhos estudem. Sou grata pelo pouco que consigo ter por causa deste trabalho que me dedico em coordenação com o meu marido”.

Esta fonte disse que outros parentes, incluindo seus filhos menores de idade, também colaboram.

Segundo conta Laura, de 36 anos de idade, o mais complicado neste trabalho é a incapacidade que os praticantes têm para negociar os preços, pois muitas vezes são os compradores que o ditam.

“Este trabalho é duro para uma mulher”, comenta, recordando que “já tentei recorrer a prática de pequeno negócio de venda de bolinhos e refrigerantes, mas o mesmo não foi possível porque não trazia nenhum rendimento, dai que decidi pela actividade de extracção de pedra e consegui construir a minha própria casa”.

“Por mais que seja pesado, este trabalho tem me ajudado, sobretudo para alimentação e enquanto não tiver a outra ocupação apostarei no trabalho de extração das pedras que servem para construção de qualquer tipo de obra, mesmo diante dos vários desafios enfrentados”, afirma a jovem Muhachia António, de 38 anos de idade, que, também está na mesma actividade.

Ela lamenta que “estou há bastante tempo que procuro melhorar a minha vida financeiramente e por isso tive que recorrer a pequenos negócios e outras actividades, mesmo isso não me ajudou”.

No entanto, disse que “actualmente faço de tudo por causa do sofrimento e existem outras mulheres que apostam nessa actividade como forma de minimizar a situação da pobreza”. Os preços ditados pelos compradores são, também, preocupação desta fonte. “Extraímos pedras e o valor pago não é satisfatório, o pior de tudo é que compramos as pedras grandes para transformamos em pedacinhos, daí as pessoas, então este trabalho não está fácil para ninguém, falo dos homens e as mulheres”.

Mesmo debaixo de sol e chuva, Luísa Marcelino disse que não irá desistir da actividade, pois “estou ciente de que não existe trabalho para mulher ou homem, a minha força e motivação para continuar neste trabalho são os meus três filhos que necessitam de alimentação e material escolar. À falta de melhor trabalho o pior serve, gostaria que o governo olhasse para a população, concretamente as mulheres na inserção no mercado do trabalho”.

Ainda diante deste desafio, estas mulheres conseguem satisfazer as suas necessidades, por isso não pensam em desistir, tal como concluiu a senhora Lurdes Inácio referindo que “para garantir a vida é graças a este trabalho que muitos acham duro para uma mulher, o meu desejo é fazer uma casa e conseguir dinheiro para apostar noutro tipo de actividade, para preservar a minha saúde, também todas as mulheres neste trabalho precisam de todo tipo de apoio dos seus maridos e do próprio governo”. (Nelsa Momade)

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