HCN “não quer” acompanhantes no seu recinto

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Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) decidiu não aceitar que o seu recinto se torne em local de hospedagem para acompanhantes de pacientes ali internados, tendo decidido expulsá-los.

Esta medida fez com que os acompanhantes recorressem aos passeios e montras e paredes de estabelecimentos, sobretudo lojas, localizados nas imediações daquela que é a maior unidade sanitária do norte de Moçambique.

A situação dos acompanhantes que já era degradante, piorou ainda quando uma frondosa árvore que ficava no recinto daquela unidade sanitária foi abatida.

Dos acompanhantes, destacam-se mais mulheres acompanhadas com crianças com menos de 5 anos de idade que, sem meios, acabam levando os petizes para aquele sofrimento.

“Lá dentro do quintal não querem ver nenhum acompanhante dos doentes, até que em tempos de sol nos cobrimos com as nossas capulanas, mas quando chove passamos muito mal”, disse uma mulher que acompanha um paciente ali internado.

Joaquina Ernesto, que falou ao Ikweli, vem distrito de Murrupula, sua terra natal, porque a sua irmã está hospitalizada há dois dias, mas já está a reclamar da experiência que vive por causa do sol e da chuva a que está exposta.

“Estou a sair do distrito de Murrupula, porque a minha irmã teve um bebé que as tripas [intestino] estão de fora, por isso fomos transferidas cá, mas eu aqui não tenho nenhuma família, muito menos conhecidos, por isso que estou ao sol a passar mal. Por exemplo, ontem quando estava a chover tentamos pedir favor para, pelo menos, nos deixarem dormir na varanda, mas não quiseram e amanhecemos de pé, e hoje logo de madrugada nos retiraram”, conta Joaquina, pedindo para que sejam “atendidos e voltarmos para casa o mais breve possível, porque o sofrimento é de mais”.

Tito Maurício disse que vem do distrito de Mogovolas, com a sua esposa que está hospitalizada, também reclama da situação. “Estou aqui porque a minha mulher está grávida e foi transferida do centro de Saúde de Nametil, no distrito de Mogovolas, mas durmo aqui fora porque não tenho onde ir, assim lá me pediram água quente para minha esposa não estou a ver onde ir aquecer. Invadimos essa varanda de estrangeiro [comerciante de nacionalidade estrangeira] porque não estamos a ver onde nos acomodarmos, os donos sempre nos expulsam, mas estamos a insistir porque não temos onde ficar, isso me deixa muito chateado e preocupado e não estamos a gostar aqui, e no tempo de chuva passamos muito mal, e sinto muito por  essas mulheres que tem bebés, o sofrimento delas é  dos piores”.

Sónia Macário, cidadã residente na cidade de Nampula, anotou que a situação é de extrema tristeza, porque no seu entender as pessoas parecem ser mendigos. Na opinião dela, devia haver um lugar específico para acomodar os acompanhantes.

“Eu sinto muito como aquelas pessoas vivem. Isso sendo um hospital grande que acolhe pessoas de vários distritos, o bom seria construir um local de acolhimento próximo para, pelo menos, essas pessoas que vêm dos distritos se acomodarem”.

A ideia de ocupar passeios e fachadas dos estabelecimentos comerciais não agrada aos proprietários dos mesmos, os quais aventam a hipótese de um dia acabar com isso. (Malito João)

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