Há cinco anos que o Instituto Industrial e Comercial de Nampula não emite certificados

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Nampula (IKWELI) – O Instituto Industrial e Comercial de Nampula, considerada maior instituição do ensino técnico profissional da região norte de Moçambique, não está a emitir os certificados para seus alunos finalistas há cinco anos, situação que cria revolta no seio dos afectados.

A falta de emissão dos certificados para os finalistas do Instituto Industrial e Comercial de Nampula começou a verificar-se com certa preocupação desde 2019, período em que coincide com o primeiro grupo de alunos abrangidos pelo sistema modular.

O sistema modular, actualmente em curso nos estabelecimentos de ensino técnico – profissional do país, preconiza que todas as avaliações feitas pelos alunos, em cada módulo, devem ser devidamente arquivadas na instituição, por um certo período de tempo.

Segundo apuramos, o Instituto industrial e Comercial de Nampula não tem conseguido arquivar os testes dos seus alunos. Foi por esta razão que, em 2019 a Autoridade Nacional do Ensino Técnico Profissional (ANEP), depois de não encontrar as evidências nos arquivos, que comprovam que tais alunos finalizaram, com sucesso, os cursos ali ministrados, ordenou a não emissão dos certificados.

Como alternativa, a direcção do IICN tem emitido os certificados provisórios para questões de estudo, assim como de emprego, os quais com o tempo acabam não tendo validade. É o que aconteceu com alguns finalistas que foram fazer o ensino superior os quais estão sendo impedidos de apresentarem os trabalhos de conclusão de curso (monografia), para os outros que abraçaram o emprego estão sendo despedidos dos seus postos de emprego.

Depois de verem todas as reclamações fracassadas, as centenas de alunos afectados tentaram avançar com alguma manifestação junto da direcção do IICN, mas que fracassou após comunicação aos homens da lei e ordem.

O assunto foi tornado público através de uma carta anónima dos formadores daquele estabelecimento de ensino, os quais continuam revoltosos pela falta de pagamento de horas extraordinárias. Os mesmos apontam a arrogância e falta de vontade de bem-servir, por parte da direcção do Instituto, como sendo resultado do cenário que ali se assiste nos dias que correm.

“A arrogância percebida do director e seus directores-adjuntos pedagógicos tem impacto negativo na atmosfera educacional. A ausência de pagamento de horas extraordinárias nos últimos cinco anos é um factor de desmotivação para os dedicados formadores, enquanto a não entrega de certificados aos formandos há mais de cinco anos é alarmante”, referem os formadores, na carta anónima que a que o Ikweli teve acesso.

“A falta de defesa dos projectos de final de curso para formandos que concluíram o ensino clássico, há cinco anos, é inaceitável, assim como a demora excessiva na emissão de simples declarações. Além disso, a ameaça enfrentada pelos formadores quando buscam reivindicar seus direitos é incompatível com um ambiente educacional saudável”, prossegue a carta dos formadores.

Como forma de se livrar da pressão, a direcção do IICN tem convocado os finalistas que terminaram a formação há mais de cinco anos para voltarem a fazer os testes, só para constar nos arquivos. São testes em que são disponibilizadas as guias de correcções em que o trabalho do aluno é apenas copiar, um ponto que provoca inquietação no seio dos formadores.

“Chama-se atenção para a convocação de formandos que finalizaram a formação há cinco anos para a realização de novas avaliações, mesmo com certificados provisórios, levantando dúvidas sobre a validade e propósito desses documentos. Exigimos uma intervenção urgente para corrigir estas irregularidades e proporcionar um ambiente de aprendizagem justo e respeitoso”, referem os formadores.

Os estudantes que falaram ao Ikweli, também de maneira anónima, consideram injusta a atitude tomada pelo Instituto, e dizem não fazer sentido que após terminarem a formação voltar a ser testados pela mesma instituição.

“Esse assunto tem-nos prejudicado bastante. Eu neste ano devo apresentar minha monografia, mas fui avisado pela universidade que enquanto não apresentar o certificado a mesma não será aceite. Tenho amigos que perderam emprego por não apresentarem o certificado do nível médio. Fomos solicitados em finais de Dezembro do ano passado para fazermos os testes de 12 módulos, então qual foi a razão de colarem os nossos nomes na vitrina alegando que tínhamos condições para requerermos os certificados?”, interrogou, lamentando, um dos finalistas.

O assunto será ultrapassado brevemente

Manuel Naife, director do Instituto Industrial e Comercial de Nampula, reconhece a preocupação dos alunos, por isso prometeu que brevemente os certificados serão  emitidos.

“Nós já estamos na fase final de algumas correcções, porque nesta quinzena há-de passar uma equipa (da ANEP) para verificar e proceder a emissão de certificados, porque havia formandos com alguns problemas que era preciso corrigir. Fomos orientados para prestar atenção e corrigir toda situação de modo a poder-se emitir”, disse Naife.

“São questões técnicas que era preciso corrigir. Normalmente, quando as evidências (testes) não estão bem arrumadas cria problemas para aqueles que vem fazer a verificação. Mas é um assunto que se vai ultrapassar muito brevemente. Acertando a parte das evidências, logo vamos regularizar a situação”, garantiu a fonte. (Constantino Henriques)

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