Nampula: Poupança e Crédito rotativo influencia mulheres a aderirem ao empreendedorismo

0
316

Nampula (IKWELI) – Os grupos de poupança e créditos rotativos que envolvem mulheres na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, estão a ter um impacto positivo e progressista, influenciando mulheres e raparigas a aderirem ao empreendedorismo.

Algumas mulheres residentes nos bairros da cidade de Nampula, entrevistadas pelo Ikweli, foram unânimes em relatar que participar em movimentos e criação de grupos de poupança e crédito rotativo resulta útil para vários fins, como a abertura de pequenos negócios, o que contribui numa maior participação económica feminina, melhoria da sua qualidade de vida, sobretudo para aquelas residentes em zonas rurais.

“Fazer parte do grupo de poupança traz melhorias na vida das mulheres, porque este processo permite acumular dinheiro para realizar vários objectivos, como compra de terreno, abertura de negócio e outras necessidades e, não só, algumas de nós deixamos de depender economicamente dos nossos maridos”, disse Dulce Baessa, residente no bairro de Muatala.

No entanto, lamenta pelo facto de haver “a existência de certos parceiros que se mostram ciumentos quando a mulher faz parte destes grupos, porque desconhecem os benefícios que este tipo de movimento de poupança traz na vida da mulher, mas mesmo assim tenho visto a aderência delas em grupos de poupança”.

Esta fonte disse, ainda, que “também, faço parte de um grupo de poupança no meu bairro, o meu objectivo é arrecadar dinheiro suficiente para fazer a compra de, pelo menos, um espaço que possa garantir a construção de casa e onde possa viver livremente com os meus filhos e familiares, dizer que uma mulher sem qualquer tipo de emprego e optar neste tipo de convívio é muito importante para que não dependa só do marido para suprir as suas necessidades”.

Com 35 anos de idade, mãe de 4 filhos e moradora do bairro de Namutequeliua, Júlia António, entende que apostar na prática da poupança constitui um marco de crescimento nas mulheres para garantir fonte de rendimento.

“Graças a Deus e ao grupo de xitique e de poupança tem me ajudado no rendimento, 2022 foi o meu primeiro ano. Esta prática traz bons ganhos, em primeiro lugar consegui pôr os meus filhos a estudar e agora estou no processo de construção”.

Na mesma linha de pensamento, apelou as mulheres residentes na cidade de Nampula para que “procurem a sua participação económica, através de criação de grupos de poupança e depois implementar qualquer tipo de projeto, além disso, os homens na qualidade de parceiros devem perceber que uma mulher não deve só depender do marido para o sustento familiar”.

Outra fonte é a dona Lídia Mário, responsável de um grupo de poupança de pelo menos 23 mulheres, há mais de 1 ano, na unidade residencial de Marien Ngouabi, bairro de Namutequeliua, a qual afirmou que quando a mulher pertence a um grupo de poupança e crédito rotativo, fica aliada ao desenvolvimento económico.

“Sou responsável de um grupo de poupança. Neste bairro de Namutequeliua, existem mulheres que ainda não estão neste tipo de prática porque são impedidas de participar pelos maridos, dai que é uma preocupação e lamentável saber que ainda há mulheres que só dependem do homem para o seu progresso”.

Ainda na sua intervenção, Lídia Mário disse que “mesmo com todas as barreiras que como mulheres encontramos para a inserção na participação económica e mesmo no mercado de emprego, arrisco-me a dizer que a criação de grupo de poupança, que coordeno, é uma mais-valia para as mulheres. Pelo menos eu consegui comprar malas bordadas, as outras mulheres conseguiram realizar os seus planos como a compra de colchão, máquina de costura para início de um novo projeto e arranque de construção de suas obras, tudo isso foi graças a criação do grupo de poupança e crédito rotativo”.

Igualmente, fez saber que “para este ano 2024, estamos no processo de inscrição de mulheres interessadas em fazer parte do movimento da participação económica feminina e ainda com a perspectiva de continuar e melhorar este processo”.

Na mesma perspetiva, Damião João que é técnico na escola primária e completa de Mutomote e há 4 anos responsável de um grupo de poupança com grande  envolvimento das mulheres e residentes em diferentes bairros da cidade de Nampula, disse que muitas delas optam pela a prática de poupança e crédito rotativo para suprir as suas necessidades.

Entretanto, contou que “o grupo de poupança foi criado para ajudar a todos e todas as mulheres mesmo que sejam funcionários, cada qual poupa o que tiver e algumas pessoas iniciam com o valor de 100,00Mt (cem meticais) e até final do ano atingem um total de 100.000,00Mt (cem mil meticais) ou mais de 200.000,00Mt (duzentos mil meticais). Igualmente, existe o processo de xitique que funciona como um empréstimo que tem ajudado bastante para resolução de algumas dificuldades pessoais como a questão de doenças e mortes”.

Damião João acredita que quando “as mulheres estão inseridas em grupos de poupança, param de depender de qualquer pessoa que seja. Nos últimos dias é notável assistir mulheres com a capacidade de suprir as suas necessidades, tudo isto, resulta da poupança e pequenos negócios”.

Dados da Associação das Mulheres Rurais e Empreendedoras de Nampula (AMURENA) indicam que mais de 5 mil mulheres, com iniciativas empreendedoras, clamam pela falta de apoio do Governo.

Julina Harculete, presidente da AMURENA, explica que a agremiação visa responder as necessidades das mulheres rurais e empreendedoras em Nampula, com vontade de desenvolver pequenos negócios que garantam a sobrevivência e participação económica feminina na região norte do país.

Entende Harculete haver muita burocracia para que as mulheres tenham estatuto legal reconhecido pelo governo.

Na mesma linha de ideias, a nossa interlocutora, disse que “estamos cansados em dizer ao governo que não se adequa a burocracia documental para que as mulheres estejam economicamente empoderadas e é uma pena termos que trabalhar assim, há necessidade de criar uma entidade que possa especificamente atender as questões das associações, cooperativas que estão ligadas as mulheres que estão a empreender para sairmos desta problemática”. (Nelsa Momade)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui