Desinformação sobre a cólera: Sector de saúde rende-se com Mecubúri e pede intervenção policial

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MSF teams are working on increasing the capacity of Lichinga Provincial Hospital’s existing Cholera Treatment Centre (CTC) to 50 beds. Our teams are also reinforcing health promotion messages, carrying out hygiene product distributions and donations, conducting training for health professionals on treatment, as well as increasing infection prevention and control (IPC) measures. In Niassa, according to the Ministry of Health, more than 1,400 cases and 13 deaths have been reported between mid-September 2022 and January 2023 in the five ffected districts: Lichinga – where the provincial capital is located – Lago, Mecanhelas, Mandimba and Sanga.

Nampula (IKWELI) – O distrito de Mecubúri, localizado a noroeste da província de Nampula continua a destacar-se na desinformação sobre a cólera, uma doença infecciosa que, por sinal, está a fustigar severamente aquele território.

A população de Mecubúri ainda acredita que as doenças diarreicas e a cólera são distribuídas pelas autoridades governamentais com o objectivo de reduzir as pessoas nas comunidades. Por essa razão, os habitantes de Mecubúri não aderem aos cuidados de saúde.

Desde o ano passado a província de Nampula está a ser fustigada pela cólera, sendo  o distrito de Mecubúri um dos mais afectados. Aliás, durante este período 9 pessoas perderam a vida por cólera, num universo de 300 casos registados, uma taxa de letalidade considerada alta pelas autoridades de saúde, constituindo assim, motivo de preocupação.

Várias estratégias foram delineadas pelo sector de saúde para ver Mecubúri livre daquela considerada doença de mãos sujas, mas a população nega os cuidados, dificultando assim a acção.

Recorde-se, foi em Mecubúri, que em finais do ano passado, um cidadão perdeu a vida nas matas depois de o mesmo ter abandonado a comunidade para fugir aos cuidados hospitalares.

Aliada a desinformação, é a agressão aos líderes comunitários naquela parcela moçambicana, bem como a destruição dos seus bens, incluindo as residências. Recentemente, segundo apuramos, três indivíduos foram presos por seu envolvimento na onda de agressão à liderança local.

O sector de saúde em Nampula assumiu publicamente ter esgotado sua força para convencer a população de Mecubúri a aderir o tratamento e abandonar a desinformação. Para colmatar a situação, Geraldino Avalinho, chefe do departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde em Nampula, pede a intervenção das autoridades policiais.

Aliás, Avalinho entende que só com a mudança de comportamento da população, colaborando com as autoridades de saúde, é que será possível estancar a cólera, dando o exemplo do distrito de Malema que já está declarado livre da doença.

“Nós como província, vínhamos monitorando a situação da cólera no distrito de Malema, mas nas últimas 48 horas declaramos surto no distrito de Meconta, concretamente no posto administrativo de Namialo. Actualmente a situação de Malema deixa-nos tranquilos porque estamos há sensivelmente 20 dias sem nenhum caso, e de acordo com os critérios da OMS podemos declarar o distrito de Malema fora da lista dos afectados”, começou por dizer Geraldino Avalinho, durante a sessão provincial do Comité Operativo de Emergência (COE) de Nampula, havida na passada quinta-feira (18).

A situação igual a Malema, segundo a fonte, tem-se registado no distrito de Eráti, onde, também há tendência de redução de número de casos. “Mas preocupam-nos outros distritos, com maior destaque para Mecubúri que neste momento apresenta maior taxa de letalidade, tomando em conta o número de casos, estamos a falar de mais de 300 registados com 9 óbitos”, referiu.

“Quanto maior fôr a taxa de letalidade, há vários factores a serem analisados, ou porque não há insumos, ou porque a resposta é fragilizada por parte da equipa técnica que estava a trabalhar, mas daquilo que compreendemos é que a situação da desinformação, neste momento, mina aquela área. Se calhar nós como sector, esgotamos como tal, embora continuemos com outras estratégias de comunicação, mas quem devia ser elo de comunicação entre o sector de saúde e a comunidade, são os líderes comunitários, os agentes polivalentes, os activistas, infelizmente esses também já começam a se apartar porque temem a fúria da população por conta desta desinformação em relação a propagação da doença. Se calhar seria altura de contarmos com a polícia, para conseguirmos garantir uma tranquilidade”, sublinhou Geraldino Avalinho.

Desde Outubro findo a esta parte, a província de Nampula registou mais de 3130 pessoas afectadas pela cólera, das quais 12 não resistiram e perderam a vida. Deste número de mortes, nove ocorreram no distrito de Mecubúri e as restantes na cidade de Nampula. (Constantino Henriques)

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