Chineses matam-se em Nampula por causa 760 mil meticais

0
725

Nampula (IKWELI) – Um cidadão de nacionalidade chinesa, cuja identidade não apuramos, foi espancado até a morte no passado dia 31 de Dezembro de 2023, acto protagonizado por três seus conterrâneos, devido a uma dívida de 760.000,00Mt (setecentos mil meticais) que o malogrado tinha contraído há um ano.

Quando parecia mais um dia festivo, a transição de ano 2023-2024 não foi nada tranquila por parte de alguns cidadãos chineses residentes na cidade de Nampula, norte de Moçambique. Em causa está uma dívida que inicialmente era de 360 mil meticais, mas devido a taxa de juro aplicada, o montante passou para 760 mil meticais.

A dívida é em resultado dos serviços de reparação das viaturas da vítima, prestados na oficina dos indiciados, mas que o malogrado não chegou de honrar. Na sequência, vezes sem contas eram travadas contendas verbais entre os envolvidos o que não foi suficiente para a liquidação do valor em causa, segundo apuramos.

O acontecimento trágico deu-se num dos restaurantes que é mais frequentado por cidadãos chineses, localizado nas imediações do Museu Nacional de Etnologia, onde após uma discussão cerrada, avançaram por uma agressão e, após vários golpes, a vítima não suportou e ficou desanimado no local tendo sido socorrido ao Hospital Central de Nampula de onde viria a perder a via.

Um dos indiciados, por sinal o proprietário da oficina em referência, versou aos jornalistas que o finado é quem começou com as provocações naquele restaurante, pois começou a proferir insultos chegando a ponto de ameaçar de morte ao credor com recurso a uma arma que o mesmo exibiu na ocasião.

“Aquele chinês tinha dívida connosco, trezentos sessenta e tal, quase dois anos sem pagar. Eu ligava para ele e não queria pagar. Eu cheguei em casa dele e lhe pedi para dizer o que queria porque somos da mesma terra. E disse vocês são carreiros, não vou pagar, é quando lhe disse que podia pagar meu dinheiro, o lucro fica contigo. Até negociou para 450 mil, ele aceitou”, começou por contar um dos indiciados.

“Depois de dois meses não pagou, é quando um dia eu liguei para ele pedindo lhe para pagar já que nós também temos dívidas, queríamos pagar salários sossegado, e ele zangou comigo. No dia 31 é festa, com os meus colegas queríamos comer naquela festa grande. Quando chegamos lá começamos a brincar é quando chegou ele chegou na nossa mesa para insultar e abusar disse que iria me matar. Então o meu colega que estava sentado ouviu e levantou e perguntou o que você quer fazer, é quando ele [vítima] tirou arma e apontou na cabeça do meu colega, disparou duas vezes, não sei como é que as balas não saíram. Quando aquilo aconteceu meus colegas tinham medo de matar a ele, e dois deles começaram a lutar com ele”, precisou.

Após apresentar os indiciados, a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, disse que depois do homicídio, os visados tentaram, sem sucesso, subornar o comandante Provincial da corporação com um montante de 100.000,00Mt (cem mil meticais), mas o dirigente recusou a oferta.

“Os indivíduos puseram-se em fuga e na tentativa de livrar-se da culpabilidade teriam entrado em contacto com o nosso excelentíssimo comandante provincial na tentativa de negociação para que fossem livres. Esses tentaram sem sucesso subornar o nosso excelentíssimo Comandante com valor monetário de 100 mil meticais”, contou Rosa Chaúque, porta-voz da PRM em Nampula. (Constantino Henriques)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui