Comunidade LGBTQI já conta com um centro comunitário em Nampula

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Nampula (IKWELI) – A comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais (LGBTQI) na província de Nampula, no norte de Moçambique, conta com um centro comunitário para cuidar da sua saúde, entre outras actividades relacionadas com pequenas formações que poderão ajudar os membros a criarem seus próprios empregos.

Trata-se de um centro entregue na passada sexta-feira (15), pela Lambda em parceria com o ICAP e outros parceiros. O mesmo tem em vista atender a população chave no quadro a resposta ao HIV e Sida aprovadas e implementadas no país. No local, serão oferecidos serviços de testagem, aconselhamento e apoio psicossocial.

Segundo o director executivo da Lambda, Roberto Paulo, com o centro a comunidade LGBTQI poderá, igualmente, beneficiar de mais consultas como o pré-natal, planeamento familiar, rastreio de cancros, bem como cuidados para casos ligados a violência baseada no género.

“Poderão receber cuidados relacionados ao despiste e tratamento de infecções de transmissão sexual, teremos também serviços de apoio jurídico legal, teremos também festas, uma biblioteca com vários livros para aumentarmos o nosso conhecimento”, explicou.

Durante o seu discurso, Roberto Paulo deixou ficar algumas regras de convivência para o bom funcionamento do centro relacionadas com a proibição do consumo de álcool, drogas e a prática relações sexuais no local.

“Se alguém quiser se embebedar melhor fazer lá fora e não aqui dentro do centro, vai ser proibido ter relações sexuais dentro deste centro, infelizmente há vontades, mas por favor, não façamos isso dentro do centro comunitário e, também, será extremamente proibido lutas. Por vezes nós temos diferenças uns com os outros e essas diferenças se não conseguimos resolvê-las no diálogo, queremos medir forças, vamos ser convidados para medir forças lá fora”, apelou.

Na ocasião, a fonte revelou que não será vedada a entrada de pessoas interessadas em visitar o centro, visto que o mesmo oferece serviços de saúde, internet entre outras actividades que podem interessar a comunidade residente nas redondezas do local e não só.

“Nós sabemos que ao redor temos vizinhos que, também, podem precisar dos serviços de aconselhamento, acesso ao preservativo, lubrificantes. Não vamos fechar portas para estes nossos vizinhos, mas é claro que a prioridade é para o nosso grupo alvo”, disse.

Terezinha da Silva, Presidente do Conselho de Direcção da Lambda, explicou que, o centro vai servir de local onde os da comunidade LGBTQI poderão reunir para discutir assuntos que preocupam o grupo, mas também aumentar seus conhecimentos através de formações.

“Aqui há muitos problemas em relação a saúde sexual reprodutiva e é muito importante essas clínicas especiais de saúde porque nós queremos alargar para todo tipo da comunidade LGBTQI. Também temos que alargar para o grupo trans e isso equivale a ter pessoas especializadas em ginecologia e poder dar informações concretas”, avançou.

No entanto, Da Silva queixa-se do não registo da Lambda, pois este tem sido um dos maiores desafios da organização.

“O não registo significa que muitas vezes os parceiros querem nos apoiar financeiramente, mas como a organização não está registada oficialmente utilizam outros canais, isso acontecia já em alguns anos, mas agora há alguns parceiros que canalizam directamente. Mas a falta de registo não impede que a Lambda execute todas actividades”, afirmou.

Por outro lado, o representante dos parceiros, Horácio Caliche, reafirmou o compromisso de continuar a apoiar a comunidade LGBTQI.

“Este centro oferece segurança a todos que dela precisam para que possam estar a vontade. Sabemos que um dos grandes desafios que a comunidade enfrenta é o acesso aos empregos formais e aqui neste centro terão uma oportunidade de cada um dos membros ou beneficiários, querendo, aprender a fazer alguma coisa que possa servir para sua independência financeira. Está criado o centro e nós vamos garantir apoio técnico, o provimento de serviços de saúde, estamos a falar de testagens, tratamento de HIV, PREP que é a prevenção para evitar a contaminação do vírus, ou seja, nós vamos garantir esses serviços com uma duração de oito horas diárias das 10 às 18. Estamos abertos para qualquer dificuldade que forem a ter”, garantiu.

Loine, um dos beneficiários e agente comunitário da Lambda, louvou a abertura do espaço, justificando que antes não tinham um espaço seguro para seus encontros e cuidados com a saúde, uma vez que passavam por dificuldades para aceder aos serviços eficazes.

“O centro comunitário veio para dar mais respeito e integração. Vai nos ajudar para realizar alguns cursos técnicos profissionais como culinária, Inglês entre outros. Será uma grande ajuda porque é difícil uma pessoa da comunidade ter acesso a esses cursos técnicos profissionais porque sofremos muita discriminação. Acima de tudo estamos gratos pela ICAP e pela Lambda que nos deu essa oportunidade e garantimos que vamos usar melhor o local e daremos o nosso melhor”, disse.

Quem também mostrou a sua satisfação com a criação do centro é Vanessa Fortunato, agente comunitário da Lambda do projeto Standup, visto que, com o local poderão adquirir conhecimentos e experiências para colocar em prática na sociedade.

“Muitos falam mal da Lambda e através deste centro e dos cursos especializados vamos mostrar a diferença lá fora. A maioria das pessoas da comunidade LGBTQI tem receio de estudar por causa da discriminação, mas aqui poderemos adquirir conhecimentos que a posterior nos farão ser donas do nosso próprio negócio”, avançou.

O centro criado em Nampula é o quinto, depois de Maputo, Pemba em Cabo delgado, Beira em Sofala e Quelimane na Zambézia, respectivamente. (Ângela da Fonseca)

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