Mais de 200 mil pacientes fazem o TARV em Nampula

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa do país, conta com um cumulativo de 282.474 pacientes que se encontram a fazer o tratamento antirretroviral (TARV) nas unidades sanitárias, sendo 264.874 adultos e outras 17.600.

Os dados foram apresentados na passada sexta-feira (01), na cidade portuária de Nacala, pelo Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, durante a cerimónia do Dia Mundial do Combate ao HIV/Sida, altura em que procedeu ao lançamento do “Dezembro Vermelho”, considerado mundialmente como o mês de reflexão sobre a pandemia.

Segundo Neto, para que os pacientes tenham acesso ao tratamento da doença, Nampula dispõe de 233 unidades sanitárias que providenciam o TARV, e de Janeiro a Setembro do ano em curso, o sector de saúde aconselhou e testou 1.041,204 pessoas. 1.871 pacientes pediátricos e 35.576 adultos o que totaliza 37.447 novos inícios em tratamento antirretroviral.

“A supressão viral foi de 67 por cento em crianças e 88 por cento em adultos. Os resultados que temos vindo a alcançar são mercê do esforço e engajamento de todos e, sobretudo, daqueles que estão na linha da frente, por isso queremos agradecer e encorajar a todos actores da resposta, aos nossos parceiros de cooperação pela vossa dedicação à causa”, explicou.

Na ocasião, Neto apelou a comunidade da província de Nampula a continuar engajada na luta contra o HIV/SIDA, de forma a garantir que a sociedade vindoura esteja livre da doença.

“Apelamos, de igual modo, a todos os pacientes para que assumam o tratamento com muita seriedade e responsabilidade, visto que este melhora a qualidade de vida do paciente, para além de ser uma das formas de prevenção de novas infecções”, apelou.

Por outro lado, o Gestor Provincial do ICAP, Manuel Buene, garantiu que a instituição continuará a sensibilizar através de estratégias comunitárias os pacientes em tratamento para que não desistam do mesmo.

“Através de brigadas e clínicas móveis que estão baseadas a nível das unidades sanitárias e das comunidades cujo objetivo principal é sensibilizar aqueles que faltam ou abandonam o tratamento, possam retomar, reiniciar e continuar com o seu tratamento”, afirmou.

O gestor fez saber ainda que, segundo dados do Ministério da Saúde, no presente ano, foram registados pouco mais de “97.337 casos de abandono e aí nós puxamos e vimos que cerca de 82 mil retornaram”, garantiu.

Enquanto isso, a Confederação das Associações Moçambicanas de Pessoas Vivendo Com HIV (CAMPV-HIV) clama pelo fim da estigmatização contra esse grupo, para o efeito apelam por mais campanhas como é o caso de “Somos Iguais”.

De acordo com o representante da CAMPV-HIV, Régio Domingos, se vencessem o estigma e discriminação, teriam um número cada vez maior de pessoas vivendo com o HIV em TARV.

“Teríamos mais pessoas a manter-se em tratamento, teríamos cada vez mais pessoas indetectáveis e teríamos menos pessoas a se infectarem pelo HIV. Urge a contínua reflexão sobre o estágio da epidemia e da resposta nacional ao HIV e SIDA em Moçambique, por via da massificação de mensagens sobre a prevenção e diagnóstico, que concorram para a mudança social e de comportamento, promovendo o conhecimento sobre o seroestado de cada um dos moçambicanos e a ligação aos cuidados e tratamento”, alertou.

No entanto, a CAMPV-HIV quer que o governo aloque financiamentos para a área, de modo a garantir a sustentabilidade da resposta nacional.

“Há toda uma necessidade de dotar as organizações de pessoas vivendo com HIV com técnicas e prover recursos necessários para que estes sejam capazes de trazer suas próprias respostas no combate ao HIV e ao SIDA”, terminou.

Reduzir novas infecções por HIV/SIDA, em 50 por cento e a taxa de transmissão vertical para menos de cinco por cento, constitui uma das principais apostas do governo até 2025.

Este ano, o país celebrou a efeméride sob o lema “Comunidades e Sociedade Civil na Vanguarda da Resposta ao HIV e SIDA”. (Ângela da Fonseca)

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