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Nampula conta apenas com 5 berçários para atender bebés prematuros

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Nampula (IKWELI) – A província mais populosa de Moçambique, localizada no extremo norte do país, Nampula, tem apenas cinco berçários para atender a um universo de 100 bebés que nascem prematuramente por mês.

Trata-se de uma realidade partilhada, recentemente, pela Médica chefe provincial de Nampula, Selma Xavier, aquando da conferência sobre Saúde Materno, Neonatal e Infantil de Qualidade e de Alto Impacto: Um Modelo de Nampula, que tinha por objectivo a partilha de experiência para melhorar os serviços prestados nas unidades sanitárias.

Segundo a fonte, os cinco berçários não só atendem bebés que nascem prematuros, mas também os que apresentam algumas complicações de saúde e que necessitam de uma intervenção.

De forma a garantir que os bebés saiam da unidade sanitária com vida, a médica chefe revelou que o sector de saúde, naquele ponto do país, tem adoptado o famoso método kanguru para salva-los.

“Continuamos a ter bebés prematuros e como eu disse, nós temos só cinco berçários, por isso, estamos a capitalizar aquilo que é a família kanguru para fazer seguimento dessas mulheres e conseguimos que esses bebés saiam das unidades sanitárias com vida. Nós sabemos que temos pouco espaço e não é possível que as crianças estejam até completar todo o peso previsto. Depois de ter um peso aceitável e em condições saudáveis, o acompanhamento é feito por activistas ao nível da comunidade”, revelou.

De acordo com os dados partilhados pela médica chefe provincial, em Nampula nascem por mês 20 mil bebés, o que significa que por ano chegam ao mundo cerca de 240 recém-nascidos, isso acontece porque as mulheres já procuram as maternidades para terem os seus filhos. Uma das formas usadas para que as parturientes tenham partos seguros nas maternidades são os comités de poupança, uma realidade que o Ikweli relatou na edição 1315, publicado no dia 14 do mês em curso, aonde explicava que “homens e as mulheres de Covó Gêr-Gêr apostam na poupança para emergências obstétricas”.

“Até aos nove meses, nós temos uma cobertura de 98%, grande parte das nossas mulheres está a dar parto nas maternidades. Conseguem usar as maternidades, porque estão integradas em grupos de poupança que é mesmo para ajudar a mulher a deslocar-se, para aquelas que tem grandes distâncias que é para chegar as maternidades e dar à luz”.

No entanto, o governo e seus parceiros lutam pela redução da taxa de mortalidade da mulher e criança no país, pois a mortalidade materna e infantil continua a ser um dos maiores desafios do sistema nacional de saúde, visto que Moçambique encontra-se na 6ª posição dos países do mundo com maior taxa de partos prematuros.

Para mudar este cenário, Moçambique assumiu, recentemente, o compromisso de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2016-2030, que prevê reduzir a mortalidade materna global, para menos de 70 por 100 mil nascimentos vivos e o neonatal para menos 12 por 1000.

O Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, considera o que chamou de três “A” como um dos principais factores que contribuem para o número da mortalidade da mulher e criança, nomeadamente, “Atraso a nível da comunidade na procura dos serviços de saúde, Atraso para chegar ao ponto de ajuda, assim como Atraso em receber o tratamento adequado”.

Por isso, Neto quer que o encontro em questão traga resultados que possam mudar o actual cenário no país. “Estamos expectantes que esta conferência que congrega técnicos e profissionais do sistema nacional de saúde, debata estes desafios, propondo soluções concretas, para acabar com as mortes por causas evitáveis, por acções dos serviços de saúde, tais como a atenção pré-natal, ao parto e ao recém-nascido”.

Por outro lado, Neto garantiu que o governo vai continuar a intensificar a criação e o fortalecimento das redes de referência e contra referência, entre as maternidades das regiões, para garantir o atendimento adequado.

Na ocasião, a representante da USAID, Emily Hillman, disse que o seu governo está comprometido em redobrar esforços para apoiar o país a combater casos de mortalidade de mulheres e crianças.

“Estamos ansiosos para continuar a trabalhar com o governo, sociedade civil, comunidades e outras partes interessadas para melhorar a saúde materna, neonatal e infantil em todo o país. Estamos confiantes de que com o investimento contínuo e compromisso do governo da USAID e outros parceiros, aceleramos o progresso para alcançar o nosso objectivo de um Moçambique mais saudável”, disse.

Importa referir que a conferência sobre Saúde Materno, Neonatal e Infantil de Qualidade e de Alto Impacto, foi igualmente replicada na província da Zambézia, região centro do país e, o mesmo decorreu sob o lema “Juntos pela Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil”. (Ângela da Fonseca)