“Não temos culpa de como foram conduzidas as eleições, tirem-nos do lixo”, munícipes da cidade de Nampula

0
381

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, foi praticamente assaltada pelo lixo. As principais ruas e avenidas estão inundadas de montes de lixo que emitem um cheiro nauseabundo que desconforta os seus residentes.

Este fenómeno não é novo, mas agudizou-se com o pico do processo eleitoral, precisamente a campanha, a votação e o período que se seguiu ao anúncio dos resultados, pois os gestores da edilidade dedicam-se a marchas, esquecendo-se do seu papel e atribuições na administração executiva da autarquia.

Os munícipes estão inconsoláveis com a situação, afirmando que “não temos culpa de como foram conduzidas as eleições, tirem-nos do lixo senhores”. Comentam ainda que “é preciso que o edil Paulo Vahanle se lembre que tem ainda um compromisso com os munícipes, pois o elegemos em 2018 para conduzir os destinos da edilidade até ao fim do mandato e não para parar porque queixa-se de fraude eleitoral”.

Jéssica Mateus, interpelada na rua Dar-és-Salam, disse que “a situação é triste, o lixo está a tomar conta das ruas. Ninguém está a mexer nada. Os camiões do município estão a vender areia para pessoas singulares nos bairros”.

“Esta alegação de que os gestores da autarquia estão a reivindicar vitória não podemos considera-la. Quem está a reivindicar vitória é o partido Renamo, por isso o conselho municipal deve continuar a trabalhar, a prover os serviços que se propôs a fazer por nós”, disse Belito Amucito, entrevistado ao longo da avenida 25 de Setembro.

Segundo os nossos entrevistados, “é neste momento que a Assembleia Municipal devia brilhar, exigindo que a direcção executiva da autarquia desempenhe o seu papel, segundo manda a lei”.

“Estamos mergulhados no lixo”, disse uma moradora da rua Monomotapa, bem no centro da cidade de Nampula, prosseguindo que “as crianças que estudam na escola 7 de Abril passam mal com tudo isso, porque esse cheiro nauseabundo pode, também, fazer mal a elas”.

Na famosa rua das Flores, o Ikweli entrevistou Berta Valisto, a qual comenta ser “lastimável que o presidente tenha abandonado a sua missão na autarquia, porque pensa que lhe foram roubados votos. Ainda que lhe tenham roubados votos, é preciso que ele continue a trabalhar, porque assim, não dá meus senhores”.

“O conselho municipal abandonou a cidade”, lamenta Pedro Ibraimo, referindo que “só vemos os nossos dirigentes falando ao telefone para os órgãos de informação, ou então liderando marchas, mas em nenhum momento lideram movimentos de recolha massiva de lixo. O conselho municipal não pode se despir das suas responsabilidades com uma alegação fraca”.

Diante desta situação, há quem guarda optimismo. “Eu tenho fé que o município virá recolher esse lixo”, comenta a senhora Berta Paiva, entrevistada no bairro de Namicopo, prosseguindo que “deve haver vontade dos gestores da autarquia em tirar o lixo, mas essa perseguição que a polícia está a fazer nos membros da Renamo faz com que os mesmos fujam e não tenham como assinar os processos para a compra de combustível ou outras necessidades para a recolha de lixo”.

A edilidade ainda não quer falar sobre o assunto. Telefonamos ao director de Comunicação e Imagem, Nelson Carvalho, mas indicou que o vereador do pelouro de Salubridade, Higiene e Gestão Funerária é a entidade ideal para falar do assunto. Esta mesma entidade não atendeu as nossas chamadas até ao fecho desta edição. (Aunício da Silva)

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui