Nampula: Moradores do 1º de Maio em Namicopo carecem do mínimo para sobreviverem

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Nampula (IKWELI) – Enquanto decorre a campanha eleitoral para as autárquicas de outubro próximo, os mais de 300 habitantes da unidade residencial 1º de Maio no bairro de Namicopo, recordam aos políticos que lhes falta um pouco de tudo.

Dos principais problemas que apoquentam os moradores daquela circunscrição, destaque vai para as vias de acesso, cujo nível de degradação é bastante acentuado, a falta de unidade sanitária e escolas em condições para garantir um processo de ensino e aprendizagem de qualidade.

Os que moram naquele ponto precisam percorrer, no mínimo, 8 quilómetros para ter acesso a uma unidade sanitária que fica na zona de Saua-Saua, também em Namicopo. O mesmo acontece para as crianças terem acesso a uma escola primária. E a escola secundária só mesmo indo a Namiepe, para estudar na escola secundária Marcelino dos Santos.

“O governo não olha para em nós, nem parece que somos filhos deles. Quando temos mulheres grávidas é um problema muito sério”, queixa-se António Taibo, residente daquela área.

Esta fonte recorda-se, também, que o acesso a água potável é outro dilema no 1º de Maio.

Partos à moda antiga 

Algumas mulheres experientes, andam de casa em casa para assistir parturientes   no momento do parto. “O trabalho de parto é muito complicado. Eu não cobro nada, depois de atender as parturientes mando-as para o hospital”, explica a parteira tradicional Ana Ronda.

Olga Fernando, que tem três filhos, é uma das mães que teve um parto no mês de julho do ano em curso, em casa, contou a sua história ao Ikweli. “A minha última filha nasceu em casa, era de noite, cerca das 23 horas. Não conseguia mais andar por causa das dores que eu sentia. Aqui na nossa área não temos maternidade e nem posto de saúde para levarmos nossas crianças para receber cuidados médicos, somos obrigados a recorrer ao posto de saúde de Namiepe ou mesmo no bispo [centro de saúde de Namicopo] a seis (6) quilómetros, se saímos de casa as 4 horas chegamos por volta das 7 ou 8 horas nesses locais”.

Por sua vez Maria da Ana, mãe de quatro filhos, também teve o seu parto em casa no mesmo período.

Estas cidadãs pedem ao governo provincial e municipal para construírem postos de saúde mais próximo das suas zonas residenciais assim como estradas. “Há vezes que os bebés nascem quando estamos a caminho do posto de saúde. Minha filha quando nasceu passou mal porque eu já não conseguia andar e depois de eu dar à luz, naquele momento não tive como levá-la ao hospital para receber tratamentos médicos, porque o centro fica muito longe, percorremos uma distância de 8 quilómetros a pé porque não há transporte”.

Para os estudantes, a situação é ainda mais complexa, porque, dada a sua idade passam por situações de falta de segurança graves.

Vânia dos Santos, frequenta a 5ª classe na EPC de Saua-Saua, disse que é muito complicado enfrentar a situação. “Para chegar na escola tenho que percorrer uns 5 quilómetros, então eu gostaria que os dirigentes da educação e o governo, que construam mais escolas próximas as nossas casas, melhorem as estradas para que tenhamos transportes públicos, no sentido de nos tirar desse sofrimento, sabendo que ao caminharmos inalamos muita poeira e corremos o risco de provocar doenças”.

Laurinda dos Santos, frequenta a 11ª classe na Escola Secundária Marcelino dos Santos, igualmente, mostra-se preocupada, pois “tenho passado mal para chegar a escola, saio muito cedo de casa para chegar a tempo, e percorro uma distância de 6 quilómetros”.

As autoridades comunitárias de 1º de Maio, também, andam preocupadas com essa situação, tal como referiu o secretário Agostinho Sorte. “Há uma semana perdemos alguém que estava doente, morreu a caminho do hospital”.

“Já comunicamos muitas vezes as autoridades acerca desta situação, mas nunca se resolve, acredito que eles é que não querem tirar-nos desta situação, e sabem que a população está a passar muito mal, mas o governo de Nampula não resolve”, concluiu esta fonte. (Virgínia Emília)

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