Nampula: SNJ preocupado com a qualidade dos novos escribas formados nos cursos oferecidos na praça

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Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte de Moçambique, tem estado a assistir nos últimos três anos o aumento do número de profissionais de comunicação social, facto que está associado ao surgimento de centros de formação básica de jornalistas, mas que disponibiliza ao mercado escribas de baixa qualificação, facto que preocupa o Secretariado Provincial do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), neste ponto do país.

De acordo com o secretário provincial do SNJ, em Nampula, José Arlindo, a maioria dos profissionais formados naqueles estabelecimentos, que não citou nomes, não estão capacitados para entrar no mercado de trabalho, até porque são formados por pessoas sem qualquer qualificação para ministrar cursos de jornalismo ou de comunicação social.

“Em Nampula há instituições que tem promovido cursos básicos de jornalismo, mas não têm documentos e capacidade para funcionar, e acabam burlando cidadãos que pretendem formar-se”, disse Arlindo que deu como exemplo um instituto de formação básica aberto no distrito de Murrupula e que, também, oferece cursos de jornalismo, cujos formandos reclamaram não estar a receber os respectivos certificados. Juntam-se á lista vários institutos ao nível da cidade de Nampula que Arlindo preferiu não citar os nomes.

Por outro lado, o Secretário Provincial do SNJ revelou que em Nampula funcionam 21 órgãos de comunicação social com mais de 100 jornalistas e outros profissionais da área e garante haver controlo. “Nós temos o controlo daqueles que são nossos membros inscritos, um número redondo como tal não tenho, porque apareceram alguns dizendo que não tiveram certificado, nas escolas onde eles foram formados”.

Por seu turno, Rosa Inguane, jornalista da Agência de Informação de Moçambique, comentou ao jornal Ikweli que, ao nível da cidade de Nampula, a maior parte de jornalistas não são profissionais na área de jornalismo e comunicação, e aproveitam-se devido a falta de emprego.

Disse igualmente que alguns são pessoas de boa-fé que pretendem ser jornalistas. “Realmente não é agradável sermos confundidos como boateiros, fofoqueiros, inventadores de mentiras, pessoas que sem qualificação para exercerem a profissão, então é uma situação difícil de compreender. Mas devido a falta de emprego, actuam como jornalistas quando na verdade nós não sabemos em órgãos de comunicação trabalham nem sequer onde as suas matérias são publicadas, então é preciso fazer uma certa limpeza na classe, porque jornalismo é uma profissão muito nobre”.

Rosa lamenta pelo facto de existirem em Nampula jornalistas que aproveitando-se da actividade fazem tentações as fontes, por exemplo exigindo dinheiro para não publicar certas matérias. “Temos que ser um elemento na sociedade da melhor forma possível, porque jornalista é aquele que informa, fazer com que a comunidade tenha informação real dos factos que acontecem na nossa sociedade”.

Nelson Faustino Tatanha, jornalista da Rádio Moçambique em Nampula, abordado pelo Ikweli, disse que está preocupado com o atropelo da Lei de imprensa por certos jornalistas de hoje em dia. “Um dos problemas que nós jornalistas qualificados e outros é de não observarmos a Lei de Imprensa. Por exemplo, quando a Polícia da República de Moçambique convida e imprensa nós não conseguimos ocultar o rosto do acusado, isso tem a ver mais com os da televisão. Digo isso porque nem sempre os acusados praticaram os crimes de que são indiciados, mas só porque tem medo do porta-voz da PRM, são orientados para falar, então é importante que o jornalista espere que os órgãos da Justiça para ter uma informação completa se realmente se eles praticaram ou não os crimes de que são acusados”.

A 10 de agosto corrente, Moçambique celebrou 32 anos da Lei de Imprensa. Na província de Nampula, o SNJ organizou, recentemente, um torneio de futebol onze, reciclagem sobre a lei de imprensa e refrescamento com a colaboração do Banco de Moçambique e Instituto Nacional de Segurança Social. (Virgínia Emília)

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