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Mesmo combatida pelos homens: Julina Harculete continua a impor-se no desporto nampulense

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Nampula (IKWELI) – A empresária Julina Harculete garante continuar a apoiar o desporto, em particular o futebol, na província de Nampula, mesmo depois de ter sido afastada a possibilidade de ascender à presidência da Associação Provincial de Futebol de Nampula (APFN).

Recorde-se, Julina Harculete foi a única mulher nas candidaturas para a presidência da APFN, através das eleições que tiveram lugar em Novembro do ano passado. Das eleições, os resultados apontaram para a sua vitória, diante de Januário Pastola, mas devido às alegadas irregularidades no processo de votação, os resultados foram impugnados e anulados pela mesa de Assembleia, e que, meses depois, Pastola viria vencer na repetição do escrutínio, num acto em que Harculete não participou.

Apesar disso, aquela mulher promete continuar a dar o seu apoio, de várias ordens, para o bem das actividades desportivas daquela parcela moçambicana cujos actores ainda clamam pela falta de apoio do empresariado local.

“Quer a Associação Provincial existir ou não, o nosso projecto como Appel Mondial Fc, não tem que parar. Nós amamos as crianças e as crianças amam o projecto que nós temos. Então, não podemos parar. Nós queríamos atingir a presidência que era para mover mais e mudarmos aquele que é o cenário da província, mas por situações que aconteceram…, mas o nosso projecto não pára como consegue ver”.

A título ilustrativo, durante a semana de férias escolares, Julina Harculete promoveu na cidade de Nampula um torneio de futebol, denominado “kids fair play”, envolvendo as crianças dos 6 aos 14 anos de idade, em ambos sexos.

A iniciativa, segundo ela, visa contribuir na descoberta de novos talentos que a cidade e província de Nampula tem, para além de pretender que as crianças, sobretudo meninas, tenham paixão pela prática de actividades desportivas e absterem-se de envolver-se em actos ilícitos.

Ao todo, o torneio envolveu 12 equipas da cidade de Nampula, de entre masculinas e femininas, cerca de 150 atletas, ao todo. “Estas edições de kids fair play serão dadas nos momentos de férias que é para ver se podemos acolher maior número de jogadores que estão a nível dos bairros. Neste momento, estamos a fazer este torneio ao nível da cidade de Nampula, mas a intenção futura é entrarmos ao nível dos bairros e fazermos o apuramento ao nível dos bairros. A seguir aos bairros nós iremos aos distritos”, disse Julina Harculete.

Reiterando, a fonte frisou que com a realização daquele tipo de evento “dois objectivos nós temos, primeiro, a massificação desta camada de formação, e outro segundo objectivo é o caça talentos. O outro objectivo, porque temos equipas femininas, é tirar estas miúdas de alguns vícios porque nós sabemos muito bem que neste período de férias elas podem se meter em alguns vícios, então nós queremos ver se podemos contribuir a evitar isso, mas também para que haja socialização”.

Para alguns treinadores das equipas, o torneio veio no momento certo e esperam que iniciativas do género não pare por ali.

“O torneio correu muito bem, por isso agradecer a dona Julina que é a promotora deste torneio. A minha equipa foi campeã, mas não foi fácil visto que temos poucos anos de existência. Daqui em diante vamos continuar a trabalhar para o bem da equipa”, disse Faruque Aurélio, treinador da equipa Talentos Unidos de Muatala.

“O torneio chegou numa boa hora porque foi organizado na semana de férias, por isso que há que louvar essa iniciativa da presidente Julina por poder criar esta oportunidade para dar alegria os meninos e meninas que aqui estão. Pedir para que os outros sigam este exemplo”, precisou Júlio João Ernesto, técnico da Academia Real Madrid.

Presente no evento, o instrutor de treinadores CAF (Confederação Africana de Futebol), Abdul Hanane, também frisou a pertinência daquele tipo de competição. Entretanto, lamentou o facto de durante as partidas os treinadores não terem deixado os petizes à vontade.

“Em termos de talentos, penso que todas as equipas têm meninos com alguma capacidade, tem talentos, sim senhoras, mas ainda é o início de uma longa caminhada, ainda há muito trabalho que os treinadores têm que fazer, principalmente deixar que o menino pense quando tem a bola nos pés, faça o que ele sabe fazer, e nesta idade não podemos exigir vitórias. Nalgum momento senti que um dos aspectos negativos que vi foi que nos primeiros jogos as equipas estavam mais preocupadas em marcar golos, em ganhar os jogos, a qualquer custo, e notava-se que não havia organização dos jogos, principalmente os princípios dos jogos. As crianças com essa idade não são para nós inibirmos”, recordou Hanane.

Sob lema “todos somos campeões”, todas equipas participantes foram premiadas com material escolar, vestuário, para além dos próprios troféus e certificados de participação. (Constantino Henriques)