Crescente crise, caos climáticos e profunda injustiça social nos PMD’s preocupam SG NU

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LDC5 Conference Family Photo with all Heads of Delegation

Doha (IKWELI) – O Secretário-Geral das Nações Unidas (NU), António Guterres, disse, na manha deste Domingo (5), na abertura da 5ª Conferência dos Países Menos Desenvolvidos (PMD’s) que os estes estão presos em meio a uma onda crescente de crise, incerteza, caos climático e profunda injustiça global.

O evento que decorre em Doha, Qatar, junta os 46 países menos desenvolvidos, incluindo os recentemente graduados desta categoria, bem como instituições financeiras e humanitária globais.

O Primeiro-Ministro de Moçambique, Adriano Maleiane, interveio durante a reunião da cúpula dos líderes e chefes do Governo que antecedeu a conferência, onde indicou que o país necessita de parcerias para o combate a pobreza que assola a sua população.

Durante o seu discurso de abertura, Guterres recordou que “esta Conferência foi originalmente agendada para janeiro de 2022. O cancelamento repentino devido à onda Omicron da pandemia do COVID-19 foi mais um lembrete de que o mundo está sujeito a mudanças constantes e inesperadas”, por, “de fato, desde então, vimos a erupção da guerra na Ucrânia com um impacto devastador sobre os ucranianos – mas também sobre os países menos desenvolvidos que lutam com custos crescentes de alimentos e energia”.

O SG da Nações Unidas recordou ainda o aprofundamento das tensões globais, ao que apela para que se encontrem maneiras de se unir o muno.

“Não temos um momento a perder”, disse Guterres, recordando que os países menos desenvolvidos “são incapazes de acompanhar as mudanças tecnológicas na velocidade da luz”, aliado ao facto de que “os sistemas estão sobrecarregados ou inexistentes – desde saúde e educação até proteção social, infraestrutura e geração de empregos”, e que “o desemprego está aumentando – especialmente entre os jovens. As mulheres estão sendo empurradas para o lado”.

Guterres reconhece ainda que “um sistema financeiro global profundamente tendencioso está entregando aos Países Menos Desenvolvidos os negócios mais cruéis”.

Hoje, segundo o Secretário-Geral das Nações Unidas, “25 economias em desenvolvimento estão gastando mais de 20% das receitas do governo não na construção de escolas, não na alimentação das pessoas, não na expansão de oportunidades para mulheres e meninas – mas apenas no serviço da dívida”, e que “alguns viram os pagamentos do serviço da dívida dispararem 35%”.

Por outro lado, António Guterres avançou que os países menos desenvolvimento necessitam de uma revolução de apoios que compreendem “assistência imediata para resgatar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, financiamento e apoio para a transformação estrutural para escalar a cadeia de valor e Investir em educação e treinamento para gerar uma força de trabalho altamente qualificada”.

“Devemos também ampliar os esforços internacionais para combater a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro e os fluxos financeiros ilícitos que drenam os recursos internos”, apelou Guterres.

Por seu turno, o Presidente da Conferência e Emir do Catar, Sheik Tamim bin Hamad bin Khalifa Al-Thani, garantiu na ocasião que o seu país vai disponibilizar 60 mil milhões de dólares norte americanos para o Programa de Acção de Doha, dos quais 10 mil milhões serão directamente para o programa e 50 mil milhões para as actividades do programa nos países menos desenvolvidos.

Igualmente, o Emir chamou atenção aos países industrializados para “cumprirem as suas obrigações nas emissões”.

Em representação da juventude dos países menos desenvolvidos, Reekelitsoe Molapo, do Lesotho, disse que os jovens estão para fazer parte da solução dos problemas dos seus países.

“A nossa missão é falar a verdade para o poder e colaborar com o poder para alcançar no desenvolvimento”, disse Molapo, anotando que “nossas aspirações incluem o alcance do trabalho digno. Educação de qualidade, a construção de uma sociedade onde sejamos reconhecidos como participantes de pleno direito nos programas internacionais desenhados pra o nosso apoio”.

Esta jovem exigiu, ainda, para que “acelerem as ações sobre as ações que influenciam negativamente os países menos desenvolvidos. Invistam urgentemente na juventude social e economicamente. Trabalhemos juntos para que os países menos desenvolvidos sejam conceitos que existam apenas nos livros de história”. (Aunício da Silva, em Doha)

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