Preciosa: mulher lésbica que luta contra a depressão devido a discriminação em Nacala

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Nampula (IKWELI) – Preciosa da Berta Hilário Chapala, de 20 anos de idade, é uma mulher lésbica que, todos os dias, luta contra a depressão gerada pelo estigma e discriminação em virtude de ter assumido, publicamente, a sua orientação sexual na cidade portuária de Nacala, província de Nampula.

A nossa entrevistada diz que descobriu que era lésbica há três anos, numa altura em que acabava de nascer o seu filho fruto de uma relação ingloriosa. Desde então revelou-se para a sociedade que era lésbica.

As pessoas mais próximas, como é o caso de amigos, irmãos e a própria mãe, receberam a informação e compreenderam a posição da Preciosa, porém, o que incomoda a ela é o facto de ela ter nascido uma criança sendo lésbica.

Surgem questionamentos que incomodam, mas uma e outra vez ela tenta responder. Na maioria das vezes prefere ignorar, pois entende que algumas pessoas perguntam somente para provocar.

“É um desafio ter que enfrentar as perguntas de forma recorrente. Fico feliz por ter as pessoas mais próximas que me aceitam e convivem assim como sou. Excepto o mau pai, que não vive connosco faz muito tempo, depois da separação com a minha mãe”, disse Preciosa.

A interlocutora demonstra receio de enfrentar uma conversa com o pai para revelar a sua orientação sexual, pois o progenitor é um cristão conservador dos princípios bíblicos.

Contudo, diz que respeita a opinião do pai, cujo posicionamento importa para a vida dela.

Na verdade, o maior medo é de perder a confiança e o amor do progenitor, uma vez sente-se mais aberta em frente da mãe do que do próprio pai.

Num outro desenvolvimento, Preciosa revelou que já esteve a estudar curso de Medicina numa das instituições de ensino técnico-profissional. Sentiu-se obrigada a trancar a formação para continuar no próximo ano lectivo.

É que o pai, que está a suportar as despesas da escola, ficou com as contas apertadas por estar a pagar a escola de outros dependentes. Mas a relação com os colegas da turma tornou-se mais fácil. No primeiro dia de aulas, apresentou-se como lésbica.

A turma inteira ficou admirada por causa da sua coragem de falar abertamente. Ela diz que assumiu publicamente a sua orientação sexual depois de ter percebido que naquela instituição existiam gays, lésbicas, homens trans e pessoas de outro tipo de orientação sexual, porém que são consumidas pelo tabu ou medo de sair do armário.

Neste momento, Preciosa trabalha no projecto “Stand Up”, suportado pela LAMBDA, onde ajuda outras pessoas homossexuais, através das actividades de sensibilização e apoio moral.

Sinais de estigma ou discriminação

As situações de estigma, discriminação, violência física e outras formas de hostilização constituem os principais desafios dos membros da comunidade LGBT+ ao nível da cidade de Nacala.

A nossa entrevistada não é uma excepção. Ao Ikweli fez saber que há homens que chegam perto dela e dizem “tu te tornaste lésbica porque ainda não sentiste um homem de verdade”.

Entende que, infelizmente, são pessoas que se acham superiores a ponto de influenciar a mudança da sua orientação sexual. “Alegam que no dia que eu sentir a presença de um homem de verdade, vou parar com as minhas maluquices”, acrescentou.

Referiu que há dias chegou uma mulher na casa dela e as duas permaneceram longas horas no quarto a conversar. Quando saiu para tomar banho, um dos vizinhos começou a questionar nos seguintes termos: “estás a levar a sério essas suas maluquices de lésbica?”.

Quando as pessoas fazem esse tipo de perguntas, ela só fica a rir. Considera que é perda de tempo se for a manifestar que está chateada ou nervosa, pois entende que está diante de gente ignorante.

De acordo com a mesma, outras pessoas se aproximam dela para confrontar que a orientação sexual assumida é pecado diante de Deus, mas ela não leva a sério esse tipo de provocação. É que o estigma ou a discriminação levam a depressão e abate psicológico.

“Não é fácil encarar a discriminação. Há pessoas que não sabem e manifestam-se com um olhar de desprezo. Outros até que têm conhecimento, mas continuam ignorantes. Eu passo por momentos de depressão, mas tento superar para não ficar abatida”, replicou, apontando que a influências dos elementos religiosos qua a conhecem é obstáculo. (Redaçã

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