Nampula: “Futuros cientistas” adoçados em pastas escolares e caneta

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Nampula (IKWELI) – Pelo menos sete adolescentes e jovens estudantes criativos do nível secundário e técnico profissional receberam, como prémio, das mãos do governo da província de Nampula, pastas escolares, canetas, cadernos e telefones celulares, em reconhecimento do seu talento criativo no campo das ciências, tecnologia e inovação.

Trata-se de jovens e adolescentes estudantes provenientes dos distritos de Ilha de Moçambique, Monapo, Rapale, Meconta e Larde que, aquando da XIV Feira provincial de Ciência, Tecnologia e Inovação realizada na última sexta-feira, 7 de Outubro, exibiram as suas acções criativas no ramo das ciências, factos que impactam positivamente no seio das comunidades, ao considerar às exigências actuais sob influências naturais e humanas.

Das iniciativas premiadas, destacam-se os projectos de sistema de alarme de segurança e elevador, do jovem Tito Manuel, proveniente do distrito de Larde e produção de pulverizador caseiro, do estudante Adérito Vasco, do distrito de Meconta, que tiveram a sorte de ocupar a 3ª posição na tabela de premiação, ambos do 2º ciclo de ensino e que receberam o prémio das mãos de Nguma John Geraldo, director do Serviço Provincial dos Assuntos Sociais de Nampula.

Na 2ª posição, ainda no 2º ciclo, as pastas, cadernos e canetas foram para os alunos Abdul Miguel Ernesto, inventor do projecto de sistema de alerta de inundações à população residente em zonas ribeirinhas dos grandes rios e, Evelina Pililão, provenientes dos distritos de Monapo e Ilha de Moçambique, respectivamente, esta última que levou também o prémio de melhores projectos femininos, com a aluna Cacilda Francisco, vinda de Rapale.

Na onda de premiações quem bateu recorde ocupando a 1ª posição na tabela classificativa são os estudantes do 2º ciclo dos distritos de Monapo e Rapale, respectivamente. Trata-se de Mateus Vasco, que exibiu o projecto de redução do saco plástico em petróleo para uso caseiro e Widnes Martinho, com a iniciativa de carvão à base do papel reciclado.

Recorde-se que a exibição não foi das primeiras naquela feira provincial, pois antes os adolescentes e jovens criativos apresentaram as suas habilidades na fase distrital, tendo sido depois apurados para a fase provincial. Contudo, o reconhecimento destes limitou-se apenas em oferta de material didáctico e celulares telemóveis.

“Aqui vim demonstrar as habilidades que tenho. Sempre deparei-me com as dificuldades de iluminação nas comunidades rurais”, por isso, “eu criei esse mecanismo de produção de combustível, neste caso o petróleo, para servir de meio de iluminação e ajudar as comunidades que têm dificuldades de iluminação devido a falta de acesso a energia de rede eléctrica nacional. O petróleo é produzido na base de plásticos reciclados, o que quer disser que para a sua produção não requere custos, pois todos os materiais são reciclados”, explicou Mateus Vasco, dono do projecto de redução de plástico em petróleo.

Ademais, “sempre desejo-me essa sorte. Sonho futuramente ser um cientista”, acrescentou o jovem estudante que esperava, através da sua iniciativa, ganhar uma bolsa de estudos para aumentar o seu nível de conhecimento e adquirir mais habilidades na arena de invenções científicas.

Na mesma linhagem, o Ikweli entrevistou Abdul Miguel Ernesto, que expôs o circuito eléctrico, como chama cientificamente, mas conhecido vulgarmente por sistema de alerta de inundações. O jovem criativo adiantou que “o sistema é colocado nas águas dos rios que, quando aumenta o caudal do rio onde está fixado o equipamento desperta a população mais próxima através de um som, sinal que indica perigo”. Além disso, em grandes rios, segundo disse o perito, o sistema evita o registo de danos humanos e materiais e o sistema funciona, igualmente, à energia solar para além de pilhas acumuladoras.

Sob o lema “Por uma feira de ciência, tecnologia e inovação científica voltada para às comunidades”, a cerimónia foi dirigida pelo director do gabinete da Secretaria do Estado na província de Nampula, Tomé Chacuchacha, em representação, o qual destacou que a feira da ciência, tecnologia e inovação, constitui uma plataforma para a apropriação de métodos científicos de aprender e saber fazer com base em recursos locais, desenvolvendo capacidade de trabalho em equipa entre os alunos.

Segundo disse, a participação da feira resulta de um processo de estudo, investigação e produção, com vista a produção científica dos estudantes na manifestação da criatividade, raciocínio lógico e capacidade de pesquisa, factores que facilitam o ingresso no trabalho em diversos sectores.

“A estratégia da ciência e tecnologia em Moçambique tem uma visão clara e um plano de acção para o desenvolvimento de recursos humanos capazes de carregar consigo os desafios da erradicação da pobreza em Moçambique. E um dos pilares desta estratégia é o programa Criando Cientista Moçambicano do Amanhã, lançado em 2006 e visa a preparação dos jovens estudantes nas escolas para o prosseguimento de estudos e/ ou ingresso no mercado de trabalho nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, recordou o representante do Secretário do Estado da província de Nampula.

Igualmente, o dirigente reconheceu que a ciência e as inovações tecnológicas auxiliam na pesquisa e desempenham um papel preponderante com vista a alavancar o desenvolvimento das comunidades. Por isso, “como pesquisadores, devem fazer com que as ciências e inovações tecnológicas estejam ao serviço da população e do desenvolvimento da província. É nosso desejo, como Estado, ver acelerado o nosso desenvolvimento da província no campo da ciência e tecnologia”, desafiou Chacuchacha aos adolescentes e jovens que exibiram as suas experiências técnico-científicas. (Esmeraldo Boquisse)

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