Lixo sufoca moradores de Namicopo

0
48

Nampula (IKWELI) – Os moradores de Namicopo, o mais populoso bairro do país localizado nos arredores da cidade de Nampula, dizem-se preocupados pela não remoção de resíduos sólidos ali produzidos.

Em consequência disso, entendem os munícipes que há cada vez mais a proliferação de doenças de origem hídrica.

Um dos pontos com lixo em quantidades preocupantes é a proximidade do Aeroporto de Nampula, concretamente na unidade comunal Nelson Mandela, e as famílias ali residentes queixam-se da situação que perdura há cinco anos.

Segundo apuramos dos moradores, a edilidade presidida por Paulo Vahanle tem conhecimento da existência do lixo naquela circunscrição, mas nada faz para aliviar o sofrimento das pessoas.

E para resolver a situação, os munícipes uniram-se e, através de contribuições, mobilizaram recursos humanos e materiais para a remoção, o que não resultou em efeitos positivos a longo prazo, devido ao nível de produção de resíduos.

“Já faz tempo que o município não vem recolher o lixo, é uma situação que preocupa toda comunidade. Já reclamamos por muitas vezes, mas parece que as pessoas do município não querem ouvir, ou talvez não estão a valorizar a situação dos cidadãos desta área”, disse um dos nossos entrevistados, identificado pelo nome de Sothala, residente no bairro de Namicopo, o qual dize não se lembrar da última vez que viu a edilidade a remover lixo naquele local.

Outra cidadã entrevistada pelo Ikweli chama-se Sónia Camilo. Esta fonte destaca que a propagação do mosquito causador da malária como um dos perigos que os residentes da área correm. Aliás, “não estamos bem porque o risco de contrair doenças é maior. Os nossos filhos brincam na lixeira, pisam descartáveis e quando regressam a casa, às vezes, não lavam as mãos, o que pode provocar diarreia”, acrescentou Sónia Camilo.

Tal como Sónia Camilo, a moradora da unidade comunal Nelson Mandela, em Namicopo, Cacilda António, lamenta a situação de higiene não adequada em que são submetidas e disse ser da responsabilidade da edilidade fazer a remoção do lixo em todas as zonas da urbe, com destaque para a zona em referência.

“Eu passo muito mal por causa do mau cheiro, uma vez que a minha casa está próxima da lixeira. Há vezes em que lixo se espalha para o meu quintal”, disse a fonte.

Na mesma abordagem, o Ikweli entrevistou Matias Lázaro, chefe do quarteirão 3 da unidade comunal Nelson Mandela, que do lado dos moradores, também, lamenta sobre a situação e disse ser preocupante, na medida em que noutras zonas da urbe há trabalhos de remoção e naquela zona ainda não.

“Este lixo está acumulado aqui desde o primeiro mandato do presidente Mahamudo Amurane. No princípio trouxeram contentor, mas depois de um tempo retiraram e não sabemos para onde. Já neste mandato do presidente Paulo Vahanle a lixeira não é reconhecida”, queixou o chefe do quarteirão Matias Lázaro, ao prosseguir que “para se tirar o lixo nesta área, havia um bar ao lado da lixeira, é esse dono do bar que as vezes conseguia pagar aqueles do conselho municipal, e só assim vinham remover o lixo”.

Outra preocupação manifestada pelos moradores, tem a ver com o lixo hospitalar que é depositado naquela local, por isso os nossos entrevistados temem que os seus filhos possam contrair doenças por conta disso.

O que diz a edilidade

Nelson Carvalho, Director do departamento de Comunicação e Imagem no Conselho municipal da Cidade de Nampula, mesmo sem avançar datas, garante que uma equipa será escalada para averiguar a situação que inquieta aos munícipes.

“A edilidade está a trabalhar no sentido de colmatar esta situação, dizer que ao nível do município, diariamente nós recolhemos 1102 (Mil Cento e Dois) metros cúbicos, este é a quantidade de lixo que é carregado diariamente ao nível do município”, refere Carvalho.

“Neste momento está se fazer um levantamento de quantas lixeiras precisam de contentores para que sejam realocados, e a nível do município temos quatro contentores, temos quatro porta contentores e temos seis camiões, para além de quatro máquinas que nos ajudam no processo de remoção de lixo”, concluiu Nelson Carvalho. (Atija Chá)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui