Dia do jornalista moçambicano: Exercício da liberdade de imprensa é ainda um desafio no país

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Nampula (IKWELI) – Assinala-se hoje, segunda-feira (11), o dia da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) e dia do jornalista moçambicano, numa altura em que o exercício da liberdade de imprensa ainda constitui um desafio no país.

Nos últimos anos, multiplicam-se as vozes que apontam Moçambique como um país autoritário e que a democracia não passa de um simples acto teórico.

O Índice de Democracia, referente ao ano 2020 e tornado público em Fevereiro de 2021, considerou Moçambique como sendo “cada vez mais autoritário”. Esta análise foi produzida pela The Economist Intelligence Unity, e coloca Moçambique na posição 122 contra a 120 que anteriormente ocupada, com uma pontuação de 3,51.

Igualmente, o Relatório Sobre Situação dos Defensores de Direitos Humanos em Moçambique, referente ao ano de 2021, aborda a perseguição que jornalistas tem vindo a sofrer no país.

Este relatório é da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos, e foi lançado, recentemente, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.

Neste documento, a RMDDH elabora um pouco em termo dos casos de violação dos direitos dos jornalistas ocorridos na província de Nampula durante o ano de 2021. O primeiro caso teve como vítimas “Faizal Abudo e Simão Mugas, ambos da TV Muniga, Leonardo Gimo, da TV Sucesso, e Émerson Joaquim, da Afro TV”, os quais “foram agredidos fisicamente e ameados pelos agentes da Polícia Municipal de Nampula, quando reportavam a detenção ilegal de três (03) activistas da “Mentes Resilientes”, uma organização da sociedade civil. Os referidos activistas foram algemados e sofreram maus-tratos simplesmente por terem filmado os agentes da Polícia Municipal de Nampula que estavam a saquear produtos de vendedores informais”.

“Em Outubro de 2021, o chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal de Nampula, Pedro Guilherme Kulyumba, ameaçou publicamente o jornalista Aunício da Silva e o Jornal IKWELI, tendo chegado ao ponto de injuriar o jornalista e a sua publicação, além de proferir um discurso carregado de ódio contra os mesmos, numa acção e atitude clara de impedir que estes realizem o seu trabalho com isenção e rigor que caracteriza a liberdade de imprensa e de informação. As agressões perpetradas pelo chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal de Nampula contra o Jornal Ikweli e seu respectivo director editorial foram sujeitos a um repúdio por parte do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), através de um comunicado emitido no dia 30 de Outubro de 2021”, lê-se no mesmo relatório da RMDDH.

E para assinalar a data, o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) emitiu um comunicado onde chama a necessidade da observância dos valores éticos e deontológicos na classe.

“Ao celebrarmos mais um Dia do Jornalista moçambicano, devemos revisitar os valores da ética e deontologia profissional. A ética profissional que se exige ao jornalista continua a ser a mesma, mas as variáveis que a condicionam são múltiplas e muitas vezes contrárias “à defesa dos direitos e interessesexigidos pela dignidade da pessoa, factos que não devem enfraquecer na nossa missão”, lê-se no comunicado do Secretariado-Geral do SNJ, o qual prossegue afirmando que “observar questões de ética é valorizar a nossa nobre missão de informar e formar a sociedade moçambicana”. (Redação)

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