Nampula (IKWELI) – Adolescente de 14 anos garante estudos vendendo feijão jogo confeccionado

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Nampula (IKWELI) – Um a menina de 14 anos de idade, residente na zona da cerâmica, nas periferias da cidade de Nampula, mas pertencente ao Posto Administrativo de Anchilo, é uma das principais impulsionadoras da renda da sua família, através do negócio de feijão macaco (denominado feijão fava ou simplesmente Namacotto, na língua Emakhuwa).

Trata-se de Shelcia Nelson que durante o ano passado esteve a frequentar a 4ª (quarta) classe na Escola Primária de Namigonha. O pai da menina destila e vende bebidas alcoólicas de fabrico caseiro, a passo que a mãe, também, é comerciante de feijão fava.

O Ikweli conheceu a menina no exercício da sua actividade, no famoso mercado das Antenas, na unidade comunal Nanuco, bairro de Muahivire Expansão, na cidade de Nampula. Com uma voz que confunde o seu aspecto físico, Shelcia Nelson contou que foi a sua própria mãe que, desde cedo, a incentivou para abraçar aquele tipo de negócio.

“Este é o meu negócio. Minha mãe deu-me cento e oitenta meticais (180,00MT) e me disse para começar a vender Namacotto e eu aceitei”, disse a menina Shelcia.

Shelcia Nelson, adolescente vendedora de feijão jogo confeccionado

Ao Ikweli, a menina fez saber que desde que começou com a esta actividade ela é quem suporta os seus próprios estudos, bem como tem comprado sua roupa e da sua irmã.

“O negócio vai bem, o dinheiro que encontro compro meus cadernos, também compro roupa da minha irmã. Por exemplo, naquelas festas, a roupa que ela usava eu é que tinha comprado”, disse, acrescentando que “até agora tenho quinhentos meticais (500,00MT) guardado em casa”.

Quando questionamos se a aquela actividade não compromete seus estudos, a menor respondeu que tem sabido programar-se. “Eu gosto muito de estudar, não vou abandonar de estudar por causa desse negócio. Como estudo de tarde, esse negócio só estarei a fazer de manhã”, alegou, para depois sonhar que “depois de eu estudar quero ser doutora”.

Os desafios e as outras praticantes

Não somente a Shelcia que vive dos rendimentos da comercialização do feijão fava, há, também, senhoras que garantem a sua subsistência e das suas famílias com o mesmo negócio.

Todavia, segundo apurou o Ikweli, a demanda e a escassas do produto podem concorrer para o aumento dos preços praticados.

As mulheres vendedoras do feijão fava, na cidade de Nampula, tencionam aumentar o preço por unidade do produto, devido a escassez da matéria-prima, bem como a dificuldade de aquisição da lenha para o processamento.

O feijão fava ou simplesmente “namacotto”, é um dos produtos silvestres mais consumidos na cidade e província de Nampula. Aliás, esse tipo de produto é considerado como “salva-vidas” das pessoas de renda baixa, mas mesmo as que possuem uma economia estável, têm recorrido aquele tipo de alimento, mesmo de maneira não recorrente.

Tradicionalmente, a actividade de colheita, processamento e venda de namacotto é, exclusivamente, para as mulheres, embora alguns homens, também, recorram a mesma prática para garantir sua sobrevivência.

Actualmente, em alguns mercados, um copo de 250 mililitros (catorzinha, como é vulgarmente conhecido) de feijão fava, processado, custa cinco meticais (5,00MT) sendo que noutros, com o mesmo montante só pode adquirir metade do copo.

O processo de preparação de namacotto é descrito como complexo, e pode durar mais que dois dias até a fase de consumo, com vista a retirada da toxicidade com que é conhecida. Aliás, o processo requer muita lenha, para além da própria água.

Nessa vertente, e devido a subida galopante do preço da lenha e da escassez do produto, as vendedeiras de algumas zonas da cidade de Nampula equacionam o agravamento do preço, por unidade, de feijão fava, passando dos actuais 5,00MT para 10,00MT.

No bairro de Muahivire, por exemplo, as vendedeiras que falaram exclusivamente ao Ikweli são unânimes em antever a subida do preço de compra de namacotto, caso continue a registar-se roptura nos principais fornecedores da matéria-prima, bem como a dificuldade no acesso a lenha. Elas contam que uma lata de dez litros (10 litros) chega a custar até duzentos meticais (200,00MT), o que com os preços praticados actualmente não recompensa o esforço empreendido.

Apesar dos constrangimentos enfrentados, actualmente, as nossas fontes enaltecem o poder que aquele tipo de negócio tem para as suas vidas e das famílias.

Argentina Arcanjo, por exemplo, é uma jovem de 20 anos e residente na Unidade Comunal Nanuco, em Muahivire Expansão. Ao Ikweli, ela contou que é divorciada, e através do seu negócio consegue sustentar os seus dois filhos.

“Não ganho muito, mas o pouco que consigo dou de comer aos meus filhos, compro roupa mais outras coisas”, disse a jovem -mãe. (Constantino Henriques)

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