Yatá: a Ilha onde o haxixe é “sepultado” em Angoche

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Angoche (IKWELI) – A ilha de Yatá, localizada junto a costa de Angoche, na província de Nampula, tem servido para a conservação de drogas, precisamente o haxixe, que a posterior é transportada para o continente, segundo apurámos numa investigação aturada.

O Ikweli visitou a ilha por duas vezes no mês de Outubro, mas para ter acesso ao local nos foi impedido de levar qualquer instrumento que fosse, tanto que tivemos de deixar o nosso equipamento a guarda de um pescador que garante vigilância ao nível do continente para que ninguém tenha acesso, com facilidade, aquela circunscrição insular.

Um pescador, natural da ilha do Buzu, actualmente residente no bairro da Horta, na cidade de Angoche, foi o nosso guia nessa expedição, e antes mesmo da nossa partida nos alertou: “aquela ilha é importante e muito bem controlada. Vão ver coisas de pessoas com poder”.

Mesmo com a revista minuciosa, a nossa equipa de investigadores conseguiu passar com um gravador de voz, e a conversa acontece em Koti, língua local.

“Aqui o haxixe é enterrado. Fica muito tempo nessas caixas enterrado e só depois é que tirado e os pescadores carregam-no para a cidade e dai segue viagem”, explica o jovem pescador.

Segundo esta fonte, “a droga é trazida por pessoas desconhecidas, incluindo as suas origens”, e ao que tudo indica “não são nacionais”.

“Nós sempre víamos pessoas a virem enterrar aqui caixas enormes. Não sabíamos do que se tratava, somente mais tarde é que descobrimos que aquilo é droga”, conta o nosso guia, prosseguindo que “nós descobrimos porque passando uns dias vem pessoas, sem meios, com interesse em transportar o produto para o continente”.

Por outro lado, este nosso interlocutor explica que nos últimos anos, verifica-se um fluxo nocturno de embarcações que vão para a referida ilha. “Durante o dia, as embarcações ficam atracadas no antigo porto de Pesas, mas durante a noite ouvimos os seus motores a roncarem”.

Por outro lado, esta nossa fonte bem identificada e que omitimos a sua identidade por razoes de segurança, explica que “houve um tempo que as coisas tinham parado um pouco, mas nesses últimos anos a situação voltou a piorar. Todas as noites tem barcos a circularem saindo das ilhas para o continente e vice-versa. Tudo isso porque estão a carregar drogas”.

O tráfico de drogas em Angoche mobiliza muitos jovens locais, e não só, justificando-se que tal se deve ao facto de “ser a forma mais fácil de ganhar a vida, porque não há emprego e nem ambiente para o auto-emprego no distrito”. (IKWELI)

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