Agentes da PRM espancam e retêm 7 jornalistas que cobriam reivindicação popular sobre o subsídio da covid-19

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Nampula (IKWELI) – Cerca de sete jornalistas de quatro estações televisivas foram agredidos e retidos, momentaneamente, por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), quando estes encontravam-se a colher informações sobre reivindicações de populares, nas instalações do Instituto Nacional da Acção Social (INAS), por alegada falta de transparência no processo de pagamento do subsídio básico para mitigação dos efeitos da covid-19.

Trata-se de Leonardo Gimo e Edmilson Ibraimo, jornalista  e repórter de imagens da TV-Sucesso, Osvaldo  Sitora e Emerson Joaquim, repórter de imagem e jornalista da Afro TV, Alberto Júnior e Manuel Tadeu, da  HAQ TV e Celestino Manuel, colaborador da Média Mais, este último que ficou algemado durante cerca de 30 minutos, num dos compartimentos do INAS, e forçado a ceder a sua máquina de filmar as autoridades policiais. Entretanto, todos foram soltos.

Este é o segundo caso a registar-se na cidade de Nampula em menos de três meses, depois da agressão de quatro jornalistas, no passado dia 30 de junho do corrente ano, pelos agentes da Polícia municipal.

Algumas das vítimas, a exemplo de Celestino Manuel, Alberto Júnior e Manuel Tadeu dizem terem sido violentados fisicamente quando se recusavam em apagar algumas imagens das manifestações populares.

Alberto Júnior, jornalista da Haq TV, uma estação televisiva de linhagem islâmica, explicou que tudo começou quando “tivemos uma informação em jeito de denúncia popular, sobre alguma manifestação em relação ao subsídio da covid-19. Entretanto, nos deslocamos para lá [nas instalações do INAS] para fazer o trabalho e nos deparamos com uma situação calamitosa, na medida em que fomos retirados os nossos equipamentos no meio de muita agressão e a Polícia a acusava-nos de incitar a manifestação e diziam que não apresentamos carta que permitisse fazer a cobertura”, disse.

O jornalista foi mais longe ao acrescentar que, na mesma operação, “fomos empurrados, até alguns colegas foram algemados, portanto não guardamos boas recordações. Aquilo mina o relacionamento entre jornalistas e a Polícia, estamos a falar isso numa altura em que há uma colaboração entre os órgãos de comunicação social e a Polícia”, lamentou.

Os jornalistas já denunciaram o caso às organizações de defesa dos profissionais de comunicação social a nível da província, nomeadamente o Núcleo Provincial do MISA-Moçambique, e o Sindicado Nacional de Jornalistas (SNJ), e a própria polícia.

Entretanto, o MISA-Moçambique já se pronunciou, em comunicado, condenando o sucedido e mostra-se interessado em ver o assunto nas mãos da justiça moçambicana, para, provando os factos, a responsabilização dos autores morais e matérias dos profissionais de comunicação social.

A Polícia da República de Moçambique, através do chefe das Relações-Públicas no comando provincial da corporação em Nampula, Dércio Samuel, nega a agressão a jornalistas, mas confirma a retenção alegadamente por falta de identificação dos profissionais enquanto investigava a proveniência.

“O comandante [da 3ª Esquadra da PRM] esteve lá e ele disse que em nenhum momento a Polícia agrediu, mas sim procurou isolar o grupo duvidoso que é(ra) o grupo dos jornalistas, depois de se confirma que tratam-se de jornalistas que não apresentavam alguma identificação, libertou a eles”, disse. (Sitoi Lutxeque)

1 COMENTÁRIO

  1. Qual identificação,se bem que eles estavam munidos do equipamento de trabalho,e por sinal esses jornalistas são da praça,ou algumas caras por eles conhecidas como jornalistas.
    Mais uma manobra intimitatória à classe,liberdade de imprensa e de expressão.É punível nos termos da lei e devem ser responsabilizados os culpados dessa tamanha falcatrua.

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