Nova Texmoque polui rio Nicutha e afecta produção de hortícolas na cidade de Nampula

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Nampula (IKWELI) – Os produtores de hortícolas na cintura verde da cidade de Nampula, concretamente nos bairros de Napipine e Murrapaniua, queixam-se da suposta poluição das águas do rio Nicutha, alegadamente pelas operações da fábrica têxtil da Nova Texmoque.

Segundo apurou o Ikweli, a referida unidade fabril que se dedica a produção de capulana tem estado a despejar as suas águas residuais naquela bacia hidrográfica.

A produção daqueles jovens, que é a maioria, é que garante o fornecimento de hortícolas aos citadinos da maior e mais importante autarquia do norte de Moçambique.

Uma das manifestações de contaminação das águas do referido rio, de acordo com os produtores, é a notabilidade de cores de tintas que são utilizadas pela fábrica, facto que faz com que se receie a contaminação dos produtos e quiçá provoque problemas na saúde dos consumidores.

“Nosso trabalho aqui é de produzir hortícolas. Entretanto, estamos a sofrer muito por causa da tinta que é escoada neste rio pela empresa Nova Texmoque, pior ainda no verão em que a água escasseia no rio, maior quantidade que recebemos são as águas residuais caracterizada por tinta e cheiro, o que faz com que as nossas plantas não desenvolvam quando usamos a água para regar”, queixa-se Francisco António de Sousa, um dos produtores entrevistados pela nossa reportagem.

Este produtor refere que pouco ganha como rendimento, ou seja, devido a suposta contaminação das águas, o que condiciona a produção, estes sentem-se forçados a reduzir os preços de compra, passando de pelo menos 500,00Mt (quinhentos meticais) para 300,00Mt (trezentos meticais) cada canteiro de alface, por exemplo. Por esta razão, estes uniram-se e dirigiram-se à empresa na tentativa de pedir que a situação fosse regularizada, mas que, depois de promessas, o dilema prevaleceu.

Selemane Abubacar Ali, marido e pai, que, há mais de cinco anos trabalha para o seu patrão como produtor em Napipine, em entrevista ao Ikweli, disse ser um desafio a resolução do derrame das águas composta por corantes produzidos na indústria têxtil montada nas imediações do seu campo de cultivo. Para além de afectar os produtos, às águas escoadas nas manilhas da empresa e que desaguam no Nicutha causam ferimentos aos produtores, facto associado a falta de material de protecção no trabalho e refere que, “aquela tinta é prejudicial, nós não temos instrumentos de protecção, e quando manuseamos a tinta que vem misturada com a água ficamos queimadas nos membros inferiores”.

E mais, “no tempo chuvoso ficamos um pouco aliviados, porque o rio consegue absorver a tinta que sai nas manilhas da Texmoque. Chegamos a reclamar algumas vezes, mas a empresa nada faz, eles (os donos firma) têm conhecimento do caso, mas nada fazem”, concluiu o produtor de hortícolas, Selemane Abubacar Ali, que disse ser um problema que remonta desde os tempos da implantação da indústria naquela zona residencial.

Texmoque nega a acusação

Para colher as declarações da contraparte, dirigimo-nos à empresa onde, em entrevista com Orlando Hugo, oficial ambiental da Nova Texmoque Nampula, ficamos a saber que a companhia vocacionada na produção de capulanas, entre outros bens, não está a poluir as águas do rio em referência, na medida em que, de acordo com este responsável, toda a água residual passa pela estação de tratamento e que depois é escoada ao rio.

“Não existe água que vai ao rio que não tenha passado pelo tratamento. É verdade que pode existir água que parece meio vermelha, mas isso é devido a natureza dos corantes ou mesmo algum erro”, disse Orlando Hugo, falando à Imprensa e uma equipa constituída por técnicos do sector ambiental no Serviço Provincial do Ambiente (SPA) e a Agência Nacional para o Controle da Qualidade Ambiental (AQUA), em Nampula.

Quando questionado da relação da empresa com a comunidade, sobretudo, os produtores, Hugo respondeu que nunca se encontrou com os representantes. Manteve encontros com o secretário do bairro, ocasiões estas que aproveitou para pedir a colaboração das autoridades comunitárias. Ademais, disse não ter recebido alguma reclamação que merecesse destaque, até porque outros agem de má-fé por motivos desconhecidos.

“Eu posso vos garantir que toda a água que passa pelo rio Nicutha, proveniente da Nova Texmoque Nampula passa por um processo de tratamento”. E mais, “no processo de tratamento da nossa água nós adicionamos alguns produtos, essencialmente, cal, usado para neutralizar a tinta, ferro e, finalmente, adicionamos o ácido que é para baixar o PH. Isso faz parte do nosso plano e temos cumprido com isso, dado que até hoje nunca recebemos queixa relacionada a isto. A cor da água tem a ver com tinta que nós usamos e, o desafio é tentar reduzir o máximo”, explicou a fonte.

O oficial ambiental que recebeu a equipa multissectorial conduziu o grupo ao laboratório interno da Nova Texmoque, onde são feitas as análises das águas residuais usadas na empresa, depois de apresentar o Plano de Gestão Ambiental (P.G.A), tudo na tentativa de comprar que a água que é derramada ao rio Nicutha não é prejudicial a saúde pública, bem como as plantações como alegam os produtores.

O que diz o governo?

A equipa do governo, chefiada pelo Serviço provincial do Ambiente e a AQUA, revelou-se insatisfeita pelas explicações tendo, uma vez que várias irregularidades foram constatadas das quais o elevado nível do PH, o uso exagerado de combustível lenhoso, entre outras.

“O que conseguimos ver é que há um desafio na gestão da água residual, há sim um tratamento feito internamente, mas ainda apresenta-se com PH muito elevado e outras componentes. É verdade que eles dizem que o processo não gera muita cinza, mas há sim muita cinza que depois não conseguimos perceber para onde é que levam”, disse António Pedro, do AQUA, para quem “ainda há uma gestão ambiental incipiente, há o desafio de tratar a água, uma vez que esta não oferece a tal segurança”.

E para apurar, se na realidade a água residual que é escoada da Nova Texmoque Nampula polui ou não o rio Nicutha que abastece os produtores, entre outras famílias que usam para o consumo, o governo de Nampula, através do Serviço Provincial do Ambiente, recolheu algumas amostras que serão submetidas as análises laboratoriais e que depois serão tornados públicos, os respectivos resultados. (Esmeraldo Boquisse)

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