Problemas de saneamento continuam preocupantes em Mutauanha

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Nampula (IKWELI) – Os problemas de saneamento do meio no bairro de Mutauanha, no município de Nampula, estão tornando proporções preocupantes e a situação já não é de fácil gestão por parte dos moradores.

Em algumas unidades residenciais daquele bairro, como é o caso da Rua de Moma, os moradores são obrigados a conviver com águas negras o que concorre para a eclosão de doenças diversas, sobretudo as de origem hídrica.

Segundo cidadãos entrevistados pelo Ikweli, o problema é recorrente, por isso é indispensável uma intervenção pontual e urgente por parte das autoridades municipais.

Também, apuramos que esta situação da degradação do sistema de saneamento do meio na maior autarquia do norte do país sucede nos bairros mais antigos, ou seja, os que estão localizados na cercania da cidade cimento, movido pelas construções desordenadas e da violação do plano de estrutura urbana.

Residente no bairro de Mutauanha, a senhora Madalena Paulino conta que “não é a primeira vez que temos esse problema de águas suja a passar nos nossos quintais. No ano passado, foi pior, aquilo eram mesmo felizes. Esse ano, assim como vês, estamos a passar por mesmos problemas”.

Essa situação, segundo a nossa entrevistada, é remota, por vezes decorrendo de forma interrupta. “Está há um mês e duas semanas que essa água passa, e os secretários do bairro não estão a fazer nada para a resolução desse problema”.

“Nós os adultos, conseguimos controlar, mas as crianças não. Elas brincam com a mesma água. Há duas semanas fui ao hospital porque meu filho estava a mijar sangue e os enfermeiros disseram que é consequência de brincar com água suja, e essa água que se refere só pode ser essa que passa aqui no meu quintal”, disse Dércia Timba, mãe residente em um dos bairros afectado, prosseguindo que “se nada pode se fazer, infelizmente, terei que me mudar desta casa porque a saúde da minha família está em risco”.

Na conhecida zona residencial da Central, ainda no bairro de Mutauanha, Muianga Mendes, disse que viver naquela circunscrição “não é tarefa fácil, essa água que está a passar aqui são fezes dos prédios, e nós estamos a aqui a consumir diariamente. Eu tenho quintal e portão, mas o cheiro dessa água chega até dentro de casa”.

Com problemas de visão, a idosa Anchita António aponta não ser fácil se locomover devido a imundície provocada pelas águas negras expelidas, maioritariamente, do centro da cidade de Nampula.

“Quando quero chegar na cidade, o caminho é estreito e por mais que a minha neta me ajude a caminhar eu sujo os meus pés com essa água”, disse a idosa, para depois avançar que “pior ainda quando passamos as refeições, como não temos quintal inalamos o cheiro enquanto passamos as refeições”.

A direcção de Água e Saneamento na edilidade da cidade de Nampula está ciente do problema, por isso tem se dedicado em sensibilizar aos cidadãos no sentido de observaram a urbanização, por forma a garantir que as vias de escoamento de águas não estejam bloqueadas.

Berlinda Canote, directora do sector, explicou ao Ikweli que “já nos reportaram essas situações de águas negras em diversos bairros da urbe, e outras vezes são os próprios munícipes que criam essas condições”. “Nós, como autoridade que vela sobre isso, fizemos a repreensão, só que a mudança de comportamentos não é uma coisa de um dia para outro”, disse, reconhecendo que “esse é um problema real e que o conselho municipal tem conhecimento e estamos a resolver ponto por ponto”, por isso “estamos na fase de identificação de quais são os pontos que têm mais problemas com relação ao dreno das águas negras e outros bairros acabamos descobrindo que afinal de contas é por causa da ocupação das casa, as recém-construídas acabaram bloqueando o sistema de drenagens que lá havia e como consequência as águas andam espalhadas toda a rua”.

Berlinda Canote garantiu que, até em Dezembro do corrente ano, o problema de escoamento de águas negras nos bairros será ultrapassado. “Temos um projecto de reabertura de valas e sistemas de drenagem obstruídos e já temos um financiamento do Banco Mundial, que vem melhorar algumas infra-estruturas na área de saneamento e acreditamos que até Dezembro deste ano a situação estará resolvida e no próximo ano temos o projecto de construir uma estação de tratamento para depois de fazer a limpeza termos onde guardar essa água”, concluiu a fonte. (Elisabeth José)

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