Dados do sector agrário: Moçambique viveu com projecções largamente especulativas

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Maputo (IKWELI) – O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, considera que a realidade em termos de dados e projecções no sector que dirige foram, sempre, assegurados por projecções especulativas, pela ausência de informações de linha de base.

“O país viveu com projecções largamente especulativas, finalmente temos um inquérito que nos traz a realidade e nos permite projectar o futuro com maior precisão”, reconheceu Correia, aquando da apresentação pública do primeiro Inquérito Agrário Integrado (IAI) de dimensão distrital chancelado pela FAO (Fundos das Nações Unidas para a Agricultura), ontem, quinta-feira (3).

Segundo o governante, os resultados do inquérito demonstram que há grandes discrepâncias nos números da produção das principais culturas alimentares e de rendimento em Moçambique.

Ao longo dos últimos 9 meses cerca de 4 milhões de Pequenos Agricultores, 93 mil Pequenos Agricultores Comerciais Emergentes e 873 grandes explorações foram visitados pelos técnicos do Instituto Nacional de Estatística (INE). “Já houve vários inquéritos, mas não da dimensão deste, este é um bocado acima de inquérito porque o país tem 154 distritos, para além dos distritos urbanos, e este inquérito cobriu 141 distritos”, enfatizou a Presidente do Conselho Administração do INE, Mónica Magaua, prosseguindo que “a interligação das metodologias, particularmente de amostragem e conceitos utilizados, permitiram a produção de dados internacionalmente comparáveis e produzidos com base nos métodos estatísticos que permitiram a medição do erro amostral e avaliar a qualidade dos mesmo”.

Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o IAI 2020, que demostra um incremento em 19 por cento das pequenas explorações e o aumento de área de produção de 3.669.917 hectares em 2017 para 5.227.877 hectares em 2020, “é um crucial instrumento que irá melhorar a informação dos processos para materialização das políticas de desenvolvimento económico e social do país”, declarou Hernani Coelho da Silva, o Representante da instituição.

“A FAO tem prestado o seu apoio técnico na testagem e na execução dos procedimentos quanto a estimativa, revisão da qualidade dos dados, no processo de tabulação e nas várias etapas do processo de colecta de dados baseado nos princípios e normas internacionais que determinam a robustez, a representatividade, a consistência e a integridade dos dados”, detalhou o diplomata.

E os números?

“Durante os últimos anos, e por razões económicas, não foi possível fazer os anuários e este inquérito, portanto o país viveu com projecções largamente especulativas e finalmente temos um inquérito que nos traz a realidade e nos permite projectar o futuro com maior precisão”, voltou a reconhecer o ministro Celso Correia.

Olhando para os números, a fonte começou por revelar que “os dados administrativos em 2020 eram de produção de cerca de 2,1 milhões toneladas de milho, a realidade mostra que Moçambique produziu 1,6 milhão de toneladas em 2020, temos uma discrepância de cerca de 400 mil toneladas. No arroz temos a mesma tendência, os dados históricos mostram 370 mil toneladas, o inquérito mostra uma produção de 137 mil, estamos a falar de uma discrepância de 238 mil toneladas”.

“Vou dar um outro exemplo”, prossegue Correia, “que é o caso da mandioca, que talvez é o mais gritante, em que os dados históricos mostravam cerca de 14 milhões de toneladas, nós produzimos 6 milhões de toneladas, quando confrontamos a realidade estatística com o que está no terreno de facto encontramos razões que justificam estes números pois temos indústrias que importam a mandioca em Moçambique”, assinalou Correia.

O titular da Agricultura destacou, por outro lado, que “no caso do gergelim o país produz mais do que declarava, no caso da soja está ela por ela e no girassol mostra-se que, de facto, houve uma extrapolação muito grande e a produção é só de 4 mil toneladas. Na macadâmia, uma cultura em introdução, a nossa base mostrou surpresas, maior produção do que nós pensávamos e na castanha do caju a variação não é muito grande. Sobre a banana existe, também, uma discrepância de 276 mil toneladas”.

Segundo Celso Correia “os números do efectivo de gado bovino são os mais ajustados a realidade”, o Inquérito Agrário Integrado apurou que em 2020 Moçambique tinha 4.898.304 cabeças de gado bovino, 2.287.669 cabeças de gado caprino, 1.635.011 suínos e 20.768.965 aves”, sendo a província de Tete “o maior produtor nacional de gado, Moatize 222 mil cabeças, seguida por Chókwè e Marávia. O maior produtor nacional de suínos é Tete e o distrito líder é o Distrito de Moatize. A Província de Sofala é o maior produtor nacional de galinhas, mas o distrito líder é Moatize, seguido por Dondo e Larde. Tete é o maior produtor de pequenos ruminantes, já era conhecido e Moatize é o distrito líder seguido pelo Chókwè e Chibabava”.

O Inquérito, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística e chancelado pela FAO, mostra que somente 6,9 por cento dos produtores tem acesso a serviços de extensão, somente 9,7 por cento dos produtores faz uso de semente melhorada a nível nacional e somente 0,6 por cento tem acesso a crédito.

“O uso de tecnologias melhoradas somente 9,1 por cento tem cobertura de rega, as províncias que se destacam são naturalmente Gaza e Maputo, por razões óbvias, também temos Manica com irrigação. O uso de fertilizantes, que tem um impacto muito grande na produtividade, continua 7,8 por cento, uso de pesticidas 5,1 por cento, herbicidas 1,8 por cento e o estrume 8,8 por cento”, referiu Celso Correia. (Aunício da Silva)

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