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“Democracia e Outras Coisas de Moçambique”, de Arcénio Cuco, chega a Nampula

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Nampula (IKWELI) – Finalmente, a cidade de Nampula, maior círculo eleitoral do país, foi palco do lançamento da obra académica “Democracia e Outras Coisas de Moçambique”, da autoria do professor universitário Arsénio Cuco.

O momento foi concorrido, e mobilizou várias correntes da sociedade, desde políticos, estudantes universitários, escritores e a sociedade civil, tanto que não foi para menos, pois a apresentação da obra esteve sob direcção do filósofo Severino Nguenha.

“Em literatura, livro é uma das formas de vida ao conhecimento ou saber, e que justifica a existência de instituições com nomes de universidades”, iniciou por dizer o apresentador, prosseguindo que “este livro interpela aquilo que para os filósofos são as preocupações fundamentais do nosso tempo, mas mais do que interpelar os poderosos ele interpela os fazedores da comunidade moçambicana sobre o tema maior dos últimos anos que é a questão da democracia”.

Interpretando o livro, Nguenha avança que “uma das coisas que nos podemos nos perguntar é, nós sabemos que a nossa democracia, é má, mas nós sabemos que temos alguma democracia. Esses todos conceitos de sabermos que temos alguma democracia má, se é uma má democracia que não é democracia é oque temos vindo a dizer, a fazer, a repetir em todos os livros, que no fundo se repete”.

“O livro não vai falar simplesmente da democracia, também, vai falar de outras coisas”, disse o académico, para depois questionar “o que são as outras coisas que o livro vai falar?”, e sublinha, em jeito de resposta, “mas antes de falar das outras coisas, eu gostaria de dizer que o autor não se contenta no livro de dizer que a nossa democracia é um já ou ainda, que ela existe e tem um caminho a fazer para aperfeiçoar-se como democracia, mas faz uma sugestão que me parece extremamente importante. É que ele divide a democracia entre aquilo que historicamente e estruturalmente é chamado de democracia e que se aplica na avaliação crítica dos nossos processos africanos”.

“O que falta, talvez o que falta na democracia moçambicana, é a sua parte moçambicana. O que é que seria a parte moçambicana da democracia? É o tomar a sério o nosso histórico de instituições comunamente tradicionais e mobilizá-las para que elas façam parte deste processo como condição da criação de uma democracia verdadeira. Neste sentido, o livro é inovador, não se limita a dizer-nos criticamente o que somos ou o que não somos, mas faz um passo em frente, diz-nos o que nos falta, mas ao mesmo tempo dá uma sugestão do que seria necessário fazer para darmos um complemento aquilo que deveria ser a democracia moçambicana”, concluiu Severino Nguenha na sua intervenção.

Por seu turno, em poucas palavras, o autor, Arsénio Cuco, disse que se considera “um sonhador, sou um utópico, não consigo ver Moçambique a se perpetuar no estado em que encontra hoje”, por isso “eu penso que haverá um momento em que todos nós seremos chamados para perguntar que Moçambique queremos, que democracia queremos”.

Jessemusse Cacinda, da Ethale Publishing, é o editor do livro, e considera que foi um desafio enorme fazer o seu trabalho.

“Provavelmente seja dos livros mais difíceis que tivemos para editar, porque Arsénio Cuco apresentou-nos um texto. Nós lemos o texto e achamos que era um texto fundamental. Na nossa perspectiva era um excelente texto para o debate actual sobre Moçambique e que apresentava algo que para nós é importante, que era uma linguagem em que pudesse comunicar com um público maior”.

“O Arsénio Cuco faz democracia a partir do seu próprio texto, quer dizer escreve um texto para poder dialogar com uma audiência maior para poder incluir a todos e que o próprio seu texto, em se, é a promoção do exercício da democracia”, defende Jessemusse Cacinda. (Texto: Aunício da Silva *Fotos: Hermínio Raja)